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Dois meses de isolamento: retrospectiva mostra avanços e gargalos no Piauí

Foto: RobertaAline/CidadeVerde.com

Nesta terça-feira (19), faz dois meses que o governador Wellington Dias (PT) reuniu autoridades e a imprensa para anunciar decreto  de calamidade pública, provocado pela pandemia do coronavírus. Ao longo deste período, medidas como fechamento das atividades econômicas, educacionais, de lazer e a determinação do isolamento social, obrigaram o piauiense a se adaptar a uma nova realidade de incertezas e mudanças.

O Cidadeverde.com realizou um levantamento das ações que foram realizadas neste período, como os avanços no combate à doença e os gargalos, pontos em que ainda é preciso avançar. Nestes dois meses, o combate ao coronavírus exigiu medidas não apenas na área da saúde, mas também, na economia e, principalmente, no comportamento da população.

Quando o governador assinou o decreto do dia 19 de março, o Piauí anunciava a confirmação de três casos da doença. A primeira morte seria confirmada nove dias depois, em 28 de março. O caso teve grande repercussão e comoção. A primeira vítima era o prefeito da cidade de São José do Divino,  Antônio Felícia (PT). 

Do dia 19 de março até hoje, a realidade mudou bastante e se agravou. De acordo com o último boletim da Secretaria de Saúde, divulgado na segunda-feira (18),  até ontem o estado apresentava 2.440 casos confirmados e  85 mortes. Os casos que antes se concentravam praticamente na capital Teresina, hoje  já atingem 50% municípios piauienses.

 

 

O isolamento social é apontado pelos gestores como a principal forma de conter o avanço da doença. A medida é polêmica e causa resistência de parte da população, mesmo com os apelos das autoridades de saúde e do governador Wellington Dias (PT). 

Durante este período, o governo adotou medidas com o objetivo de controlar a propagação da doença.  Algumas, porém, têm gerado polemica e reações.  Na linha abaixo é possível relembrar algumas dessas ações:

Apesar das ações implantadas, o isolamento não vem sendo cumprido por parte da população contrária ao afastamento social. O governo afirma que essa resistência e o crescimento dos casos pode levar a um colapso do sistema de saúde do Piauí.

Ameaça de Colapso

De acordo com informações da Secretaria de Saúde, a pandemia já levou à ocupação de mais de 50% dos leitos de Unidades de Terapia Intensiva (UTIs).Isso significa que mais  da metade das vagas em UTIs estão ocupadas no atendimento a pacientes com coronavírus.

A situação preocupa porque os números da doença aumentam a cada dia e a ameaça de um colapso do sistema de saúde é real. Com grande parte da população desrespeitando o isolamento social, a propagação do vírus continua.

Neste momento, 127 leitos de UTI estão ocupados no Piauí. Ainda existem 114 livres para atender a demanda  de todo o estado. O número de internações em leitos clínicos é de 239. Ainda existem disponíveis 589 leitos clínicos disponíveis. Dois pacientes ocupam dois leitos de estabilização. E 130 pessoas ocupam leitos com respirador (UTI + estabilização).

 

 

O governo afirma que algumas medidas para a ampliação dos leitos de UTIs no interior estão sendo tomadas. Em Parnaíba encontra-se em fase final a construção de um anexo do Hospital Estadual Dirceu Arcoverde (HEDA), para atendimento aos pacientes com a Covid-19. O hospital passará a contar com 83 leitos, sendo 15 de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Somente o Hospital Getúlio Vargas (HGV) já está com 85% dos seus leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), destinados exclusivamente aos para pacientes com Covid-19, ocupados. A situação exige a abertura de novos leitos e a compra de mais equipamentos, como os respiradores. 

Demora

O aumento na ocupação do número de leitos leva à espera pela conclusão da construção do hospital de campanha do Ginásio Verdão, que é de responsabilidade do Governo do Estado. A obra que tinha como previsão de entrega o dia 17 de abril, não foi concluída até agora. 

O hospital de campanha receberá 103 leitos, para atender pacientes de baixa complexidade, infectados pelo novo Coronavírus (COVID-19). São 94 leitos clínicos e 09 leitos de estabilização. 

O Ministério Público chegou a pedir a suspensão das parcelas de pagamento da obra.  A suspeita era de  favorecimento da empresa contratada e de  irregularidade na definição do valor do contrato e ilegalidade no pagamento antecipado de parcela. Porém, a juíza Carmelita Brito de Oliveira, da 2ª Vara dos Feitos da Fazenda Pública da Comarca de Teresina, indeferiu o pedido do Ministério Público.

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Respiradores
Outra dificuldade enfrentadas pelo estado é o acesso aos equipamentos como respiradores, fundamentais para salvar as vidas dos pacientes com covid-19, que possuem dificuldade de respirar. 

O Piauí comprou 80 respiradores mecânicos em janeiro de 2020. Porém, o estado teve que recorrer à Justiça para receber parte da compra. 

O ministério da Saúde teria confiscado 41 dos respiradores, que foram liberados após decisão do juiz Márcio Braga Magalhães, da 2ª Vara da Justiça Federal no Piauí. Os contratos somam R$ 4 milhões.

Outro impasse diz respeito ao funcionamento da UTI do Hospital da Polícia Militar. A Secretaria informa que espera a entrega de respiradores que foram encomendados da China e da Turquia. O Ministério Público cobra o funcionamento da UTI em meio ao crescimento dos casos. 

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Profissionais

Outro gargalo enfrentado no combate ao coronavírus é o número ainda insuficiente de profissionais de saúde. A crise levou a Secretaria Estadual de Saúde a anunciar a convocação de 300 profissionais entre enfermeiros, técnicos de enfermagem, maqueiros e serviços gerais aprovados em concurso público. 

Lockdown parcial

Diante do crescimento dos números de casos de coronavírus, o Governo do Estado decretou lockdown parcial. A medida é uma forma de obrigar a parcela da população, que não faz parte dos serviços considerados essenciais a ficar em casa. 
No domingo (17), as medidas foram as mais restritivas dos dois últimos meses. Com o lockdown, o Piauí ficou em 4º lugar no ranking nacional com mais de 50% da população em isolamento social. 

Ficou  proibido o funcionamento de supermercados, padarias, mercadinhos, postos de combustíveis, exceto postos e pontos de alimentação às margens de rodovias. No caso do serviço de delivery, apenas o exclusivamente para alimentação foi liberado. 

.O Governo do Estado apoia a decisão do prefeito de Teresina, Firmino Filho, de instalar barreiras sanitárias nas pontes que ligam a capital ao Maranhão. A medida que restringe a circulação de pessoas, visa evitar a vinda de doentes do estado vizinho para o Piauí.

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Economia

A pandemia não fica restrita a saúde. Os efeitos na área da economia preocupam. Além do fortalecimento do sistema de saúde, as autoridades buscam adotar medidas para evitar o caos na economia. 

Algumas dessas medidas foram tomadas como a aprovação de projeto de lei para reduzir ICMS de álcool em gel e máscaras. No campo do corte de despesas, o governo anunciou cortes de gastos e redução de 25% nos contratos e a redução do próprio salário e dos dirigentes dos órgãos do estado.

Visando a recuperação da economia, a Assembleia Legislativa aprovou pedidos de empréstimos para enfrentamento da crise com medidas a serem tomadas durante e pós-pandemia. O total dos empréstimos ultrapassa o valor de R$ 2 bilhões. 
Os recursos devem ser usado para fomentar a economia com obras e investimentos. 

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Cloroquina
O protocolo do uso da cloroquina aplicado no Hospital Tibério Nunes, no município de Floriano, ganhou repercussão nacional.  A ministra Damares Alves visitou o hospital, se reúniu com o prefeito Joel Rodrigues e com médicos responsáveis pelo protocolo, que divide opiniões entre os profissionais de saúde. 

O uso do remédio no tratamento dos pacientes com coronavírus é uma discussão mundial. No Brasil, o presidente Jair Bolsonaro é o principal defensor do medicamento. Porém, alguns governadores e parte da comunidade científica pedem cautela.  

Diante da repercussão, o Governo do Estado esclarece que não interferirá em uma decisão que cabe aos médicos. O governo diz que corticoides e hidroxicloroquina são  utilizados na rede estadual de saúde desde que foram tratados os primeiros casos de Covid-19 no Piauí. Cabe aos médicos a decisão. 

 

Lídia Brito
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