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Data do Enem deve estar ligada a calendário pós-isolamento, diz ex-diretora do Inep

A professora Maria Inês Fini, ex-diretora do Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira) criticou a manutenção do calendário do Enem durante o período de isolamento social e suspensão das aulas presenciais nas escolas. Para ela, a data deve ser dialogada após a queda da curva epidemiológica do novo coronavírus no Brasil.

Em entrevista ao Jornal do Piauí nesta quarta-feira (20), Fini citou a aprovação, feita pelo Senado Federal, da suspensão da data do Enem marcada para os dias 1º e 8 de novembro, e a versão digital para 22 e 29 de novembro. 

A professora defende que a data seja agendada após as escolas brasileiras visualizarem o retorno presencial e reprogramarem seus calendários letivos. “O calendário do Enem, tal como foi hoje o parecer do Senado Federal, ele deverá estar submetido à volta às aulas e se colocar após o término do ano letivo”, explicou Maria Inês.

De acordo com a professora, a manutenção das datas do Enem ainda em período de pandemia não correspondia ao cenário de paralisação das atividades não só nas escolas como nas universidades

“Pouquíssimos jovens estão tendo acesso, por meio desse sistema remoto, a uma informação qualificada, aquela que prepara para o exame (Enem). Daí a nossa preocupação em se colocar uma data, começar inscrição , uma vez que as escolas estão paradas”, comentou Maria Inês. “Para que fazer um exame, preparar para que se a universidade também está parada”, completou.

Fini pontuou que as universidades não possuem  “bola de cristal” para definir o fim do período letivo de 2020 e que por isso não sabem sequer quando iniciarão o período de 2021, ano letivo que admitirá os estudantes que tiverem bom desempenho no Enem deste ano.

A professora avalia ainda que não deveria ser prioridade estipular novos prazos para o exame após a suspensão aprovada pelo Senado. “Nesse cenário maior, acho que a menor preocupação do governo deveria ser estabelecer um sistema que é altamente competitivo  e que é altamente injusto para a maioria dos jovens brasileiros”, afirmou Maria Inês que ainda pontuou que o Enem sem as aulas presenciais é “uma covardia” para os estudantes com menor poder aquisitivo. 

Maria Inês reconhece que o adiamento é prejudicial principalmente para os jovens que não foram aprovados pelo Sisu (Sistema de Seleção Unificado) em 2020 mas reforçou que a manutenção das datas iria ser prejudicial para a maioria dos jovens que não estão tendo acesso à escola e não têm as condições necessárias para se preparar para o exame durante o isolamento. 

Valmir Macêdo
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