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Empresa de robótica montará leitos de UTI para testar respirador e servir de apoio


A empresa de robótica aplicada Tron, que iniciará a fabricação de respiradores em baixo custo na próxima segunda-feira (25), também irá montar 10 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) para testar 24 horas o equipamento, além de servir como apoio ao sistema de saúde caso o seu uso seja necessário para tratar pacientes com Covid-19. 

"Nós estamos montando 10 leitos. Esses leitos vão servir para os respiradores ficarem sendo testados, mas, no caso emergencial, nós vamos preparar esses 10 leitos para que possam ser utilizados como uma espécie de apoio. A nossa premissa é poder usar em um momento emergencial se for preciso. Estamos trabalhando  o mais próximo da realidade possível", conta o sócio-fundador da Tron, Gildário Lima. 

Na sexta-feira (22),  a equipe terá uma reunião com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) para demonstrar o uso e a eficácia do respirador. "Nós vamos começar a fabricar esses aparelhos na segunda-feira. Então, a partir de segunda-feira já tem um processo de fabricação. Se a Anvisa aprovar na sexta-feira que vem a gente já deve ter de 70 a 100 aparelhos fabricados,  e vamos continuar no ritmo. A nossa meta é em 40 dias após iniciar o processo de fabricação chegue na entrega dos 300 protótipos". 

Gildário Lima demonstrou ao vivo no Jornal do Piauí como funciona o respirador alternativo e de menor custo que será fabricado para ajudar a abastecer o sistema de saúde devido a pandemia do novo coronavírus. O equipamento ficou conhecido como airtron. Veja vídeo acima. 

Gildário Lima conta que foram feitos sete modelos e, a cada modelo, a equipe buscava os componentes mais disponíveis para a venda no Brasil. "Quando achava um componente mais difícil, a gente buscava uma alternativa mais barata e mais simples. Vou dar um exemplo: os respiradores usam válvulas, são válvulas eletromecânicas que têm aliação de abrir e fechar. O airtron foi inspirado em válvulas de máquina de lavar porque existem uma quantidade abundante no mercado, logicamente com toda responsabilidade e testes".  

O airtron também possui sensores de gás, fluxo e pressão, "necessários para que a automação dentro do processo de respiração possa funcionar bem e que em nenhum momento o paciente possa ter uma parada, ou algo do tipo". Os governos começaram uma corrida contra  o tempo para adquirir respiradores para auxiliar na recuperação emergencial de pacientes com Covid-19, que sofrem, em muitos casos, com a falta de ar. 

No momento, a ideia é abastecer o sistema de saúde com pelo menos 300 equipamentos. A criação do respirador contou com a participação de uma série de profissionais da saúde, pesquisadores da  Universidade Federal do Delta do Parnaíba e da Universidade Federal do Piauí. 

"Hoje, com o que nós temos de estoque, temos a capacidade de produzir de 300 a 350. Porém, se tivermos parcerias, investimentos, e que outras empresas queiram nos apoiar é possível construir milhares desses equipamentos". 

Sobre o custo de fabricação, Gildário relatou que ele "não é bem definido porque se tem dois momentos em uma tecnologia como essa: tem um momento de estabilização, que geralmente o custo é maior porque você ainda está investindo em pesquisa e o cenário está mudando muito - algo que você comprova por 'x' no tempo normal agora você compra por '2x', mas, de qualquer forma, o custo é muito menor". 

"A gente acredita que o nosso respirador, hoje,  em condições normais, ele é equiparável a um respirador de R$ 70 mil; e ele deve sair na faixa de R$ 6 a R$ 8 mil em condições normais. O que são conduções não normais? é porque esse respirador que hoje custa R$ 70 mil às vezes chega a custar R$ 150 mil porque tem uma série de dificuldades", 

"Um dos diferenciais do airtron é que ele sempre foi pensando para ser replicável. Então, todos os componentes que fazem parte desse processo são componentes abundantes no Brasil e de fácil acesso. Por exemplo, nós aqui já temos material para construção de pelo menos 300 protótipos".
 


Carlienne Carpaso
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