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Dólar cai com otimismo no exterior e fecha no menor nível desde o dia 5

Influenciado pelo mercado externo, o dólar voltou a cair e fechou a quarta-feira, 20, no menor nível desde 5 de maio, quando terminou em R$ 5,59. O petróleo subiu forte nos Estados Unidos e Londres e ajudou a estimular a alta das bolsas ao redor do mundo, beneficiando também as moedas de emergentes. No mercado doméstico, profissionais de câmbio dizem que a queda hoje poderia ser ainda maior, não fosse o ambiente político no pano de fundo, com cautela sobre a possível divulgação do vídeo da reunião ministerial de 22 de abril e depoimento na tarde de hoje do empresário Paulo Marinho na Polícia Federal do Rio.

Com o petróleo subindo ao redor de 5% - por conta de um compromisso da China com a Opep em trabalharem juntos para ajudar a estabilizar o mercado mundial da commodity - o dólar chegou a cair mais em países produtores do óleo. No México, recuou quase 3% e na Rússia cedeu 2%. No Brasil, o dólar à vista fechou em queda de 1,17%, a R$ 5,6890. A moeda americana não fechava abaixo de R$ 5,70 desde 5 de maio. No mercado futuro, o dólar para junho era negociado na casa dos R$ 5,69 no final da tarde de hoje.

A diretora em Nova York de estratégias de moedas da BK Asset Management, Kathy Lien, avalia que há uma sensação no mercado de que o pior da crise do coronavírus pode já ter ficado para trás, o que estimula a busca por ativos de risco, ajudando a enfraquecer o dólar globalmente. O petróleo em alta, países e mais estados americanos reabrindo atividades e bons resultados trimestrais das varejistas americanas Target e Lowe's contribuem para aumentar o otimismo dos agentes. Por isso, o dólar teve queda generalizada hoje, ante divisas fortes e emergentes.

Havia expectativa pela divulgação da ata da última reunião do Federal Reserve (Fed, o banco central americano) nesta tarde. Mas o documento não trouxe maiores novidades em relação às declarações recentes do BC americano, mostrando preocupação com uma segunda onda de coronavírus e o mercado de trabalho americano, e teve impacto limitado nos mercados.

No Brasil, apesar da melhora do real esta semana, com o dólar acumulando queda de 2,70% em movimento guiado pelo setor externo, o economista-chefe da consultoria Capital Economics para mercados emergentes, William Jackson, avalia que a tendência é da moeda brasileira seguir enfraquecida no curto prazo. Eventual aumento do ruído político, por exemplo, causado pelo início da abertura de processo de impeachment contra Jair Bolsonaro, pode levar o dólar a rapidamente testar níveis acima de R$ 6,00.

A Capital Economics elevou a estimativa do dólar ao final de 2020 de R$ 4,70 para R$ 5,25. A consultoria hoje revisou sua projeção para o Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil e agora espera queda de 8% este ano, refletindo o efeito da disseminação mais rápida do coronavírus, que tem obrigado os governos estaduais a manterem a quarentena por mais tempo.

Por Altamiro Silva Junior
Estadão Conteúdo