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Reabertura está perto de acontecer se não houver “susto”, diz Rafael Fonteles

O secretário Estadual de Fazenda, Rafael Fonteles, assinalou para o dia 8 de junho indicativo de retomada gradual das atividades econômicas no Piauí, caso não haja aumento no número de casos de Covid-19 previstos para o período. O secretário também falou das previsões negativas para o PIB e os reflexos no mercado de trabalho pós-pandemia.

“Estamos perto disso (reabertura) porque estamos perto desse platô, que na verdade não é um pico, não é um dia que é o maior e depois começa a cair, são algumas semanas com uma incidência elevada. Ao mesmo tempo, a rede hospitalar está crescendo os leitos com respiradores”, disse Fonteles.

Para o secretário, o indicativo do governo é que medidas de reabertura gradual sejam tomadas após a primeira semana de junho. “O governador ainda não decidiu. Mas tudo indica que teremos esse retorno gradual a partir do dia 8 se não houver nenhum susto nos dados vindos da Secretaria de Saúde”, garantiu.

O secretário reforçou a importância de manter o isolamento social nas próximas duas semanas para garantir a previsão de retorno a partir do dia 8. O cronograma de retomada, segundo o gestor, prevê uma série de regulamentações para cada setor da economia e para cada região do estado. 

Queda na arrecadação

Rafael Fonteles, que também preside o Consefaz (Comitê Nacional de Secretários de Fazenda, Finanças, Receita ou Tributação dos Estados e do Distrito Federal) informou que para o mês de maio a previsão também é de queda acima de 30% na arrecadação para todos os estados.

Fonteles avalia como insuficiente o pacote de R$ 60 bilhões em auxílio aos estados e município sancionado pelo governo Bolsonaro. Ele disse que o pacote serve apenas para até três meses e se não for aumentado poderá gerar “um dano ainda maior à população”.

“Já era insuficiente da forma como foi aprovado pelo Congresso, com o veto relativo ao artigo 4º, que não obriga a suspensão das dívidas, ficou mais insuficiente ainda”, pontuou. “É claro que é importante mas a União está apenas cumprindo sua obrigação constitucional de ajudar estados e municípios que não podem emitir títulos, não podem emitir moeda”, explicou.

Colapso financeiro

Segundo Fonteles, o reforço a estados e municípios terá de ser complementado ou poderá gerar “colapso” nas finanças dos estados

“Esse pacote terá que ser aumentado de qualquer forma porque ficará evidente que é insuficiente e que vai terminar gerando colapso nas finanças estaduais”, afirmou.

Números ruins para o desemprego

Rafael Fonteles ainda falou das previsões negativas para o PIB do Brasil e os impactos no mercado de trabalho. 

“É a maior queda percentual do PIB de toda a história do Brasil. Então obviamente que o mercado de trabalho será imensamente afetado, o que se tenta fazer a curto prazo é amenizar essas medidas”, disse o secretário apontando para a necessidade  de um programa de obras estruturantes para gerar emprego no período pós-pandemia.

Crise política

Para Fonteles, a crise política do Brasil “vai atrasar as soluções econômicas” influenciando no âmbito sanitário e financeiro.

“Por isso, talvez, esteja havendo uma fuga maior de investidores do Brasil não só por causa da pandemia, mas pelo ruído, que não tem fim, na relação entre os poderes, na relação entre os entes da federação”, disse. “A manutenção dessa crise política, que tudo indica que vai ter, vai retardar a retomada econômica do Brasil. O Brasil vai terminar sofrendo mais ainda”, complementou.

Valmir Macêdo
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