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Sindipostos divulga nota de repúdio contra falta de diálogo com empresários e gestão da crise

Foto: Arquivo CV

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Piauí (Sindipostos/PI), divulgou uma nota de repúdio criticando políticas adotadas no enfrentamento à pandemia e a falta de diálogo dos governos estadual e municipal com o empresariado, em relação a retomada das atividades. 

De acordo com o presidente do Sindipostos-PI, Alexandre Cavalcante, o setor já demitiu 30% e deve demitir mais trabalhadores por falta de perspectiva de retorno das atividades comerciais como um todo. 

“Não adianta os postos estarem abertos se não tem demanda. Antes tínhamos dez frentistas para atender e agora só precisa de um. Nas reuniões que participamos e outras que os colegas foram chamados pelos governos, não somos ouvidos, somos só comunicados das decisões, não tem diálogo, só impõem o que quer, se for para ser assim, impõe via imprensa ou por outro canal, já que não quer entender a dor do empresariado”, argumenta o empresário. 

Ele destaca que essa atitude só prejudica os funcionários. “Tem que começar a pôr em pratica um programa, porque  se não tiver previsão para os empresários, sem noção do que vão fazer, o que resta é demitir mais funcionários, porque se um determinado setor souber que vai voltar daqui a 15 dias, o empresário evita demissão, mas como não deixa em planos limpos, nos deixa sem horizonte, prejudica os funcionários que tendem a ser demitidos”, justifica Alexandre Cavalcante. 

Veja nota na íntegra:

O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado do Piauí (Sindipostos/PI), entidade representante dos revendedores de derivados do petróleo e produtos/serviços congêneres, que em conjunto concretizam aproximadamente 30% (trinta por cento) da arrecadação do ICMS do Estado do Piauí e geram um aproximadamente 10.000 (dez mil ) empregos, vem à público externar seu repúdio a intolerável forma com a qual o Governo do Piauí  e a Prefeitura de Teresina conduzem uma suposta gestão da crise vivenciada pela nossa população em face da pandemia decorrente da proliferação do Corona vírus. 
 
 É compreensível a adoção de medidas restritivas visando salvaguardar a vida das pessoas. No entanto, tais medidas exigem que concomitantemente sejam efetivadas ações no intuito de preparar o sistema de saúde para receber um número maior de doentes, coisa que não vemos, bem como ações  responsáveis, planejadas, eficientes e direcionadas a ofertar condições mínimas ao reestabelecimento do convívio social e o indispensável desenvolvimento das atividades econômicas. 
 
 As publicações dos últimos Decretos Estadual e Decreto municipal revelam a estarrecedora incapacidade dos nossos governantes em apresentar diretrizes minimamente eficazes para o enfretamento desse indesejável momento. Nos leva, ainda, a concluir que nada de efetivo e eficiente foi por eles implementado, pois já se passaram praticamente 90 (noventa) dias que se reconheceu o estado de calamidade e apenas se vê o alargamento dos sacrifícios impostos aos piauienses, sem que em contrapartida a eles tenham sido ofertado melhores condições sanitárias e de serviços de saúde, muito menos perspectivas quanto à necessária retomada das atividades geradoras de renda e manutenção da empregabilidade. A inépcia é latente e lastimável. 
 
 Merecem ser enfaticamente repelida também a falsa abertura ao diálogo com a sociedade civil e os setores produtivos, tiranicamente decretados através dos Decretos Estadual e Municipal, e a imposição de um “lockdown”, embora covardemente denominado de outras formas. O diálogo amplo e aberto foi até o presente momento rejeitado pelos gestores das duas esferas de governos já citadas, não fazendo sentido a crença de que serão disponibilizados mecanismos eficientes para sua concretização nos próximos 15 (quinze) dias. Assim, evidencia-se unicamente uma tentativa de compartilhar com a sociedade civil e o setor privado a inoperância e ineficiência dessas gestões, ora refletidas na ausência de apresentação imediata de um plano de retomada (mesmo que gradual) da atividade econômica. 
 
Em razão do compromisso desta entidade e de seus associados com a sociedade piauiense, revela-se indispensável a presente manifestação de repúdio e o engajamento de nossa categoria na defesa dos mais legítimos interesses dos piauienses que rejeitam o tratamento autoritário e ineficiente perfilhado pelos agentes públicos responsáveis. 


Caroline Oliveira
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