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Gruta e religiosidade marcam a vida dos moradores de Castelo do Piauí

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A história do surgimento da cidade de Castelo do Piauí é permeada de religiosidade e teve como pano de fundo a descoberta de uma gruta em forma de castelo. Para descobrir tudo que cerca essa história, o especial Viva Piauí percorreu a região com a ajuda do guia e geólogo Augusto Júnior.


Conta-se que por volta de 1742 uma imagem de Nossa Senhora do Desterro foi encontrada dentro da gruta. A imagem era esculpida em uma pedra da própria caverna, formando uma espécie de altar natural.


Um dia essa imagem desapareceu. Augusto Júnior conta que isso originou um turismo religioso na região. Ainda hoje os fiéis dizem que, com muita fé, conseguem visualizar a imagem da santa dentro da gruta.


Dentro da formação rochosa tem uma clarabóia natural, que ilumina os túmulos e os cruzeiros. São as provas de que o local era usado como cemitério, que foi desativado na década de 1950.


Nas proximidades, uma capela foi construída no século XVIII para abrigar a imagem. Augusto conta ainda que a capela tinha muitas torres. Isso significava poder aquisitivo da população porque a tradição mandava que quanto mais torres, mais dinheiro a freguesia teria que mandar para a diocese.


Dentro da igreja ainda há vestígios da primeira família a habitar a região. Existe uma lápide com os restos mortais de Ana Fonseca, casada com Miguel José Cardoso. Os Cardoso formaram a primeira família da região de que se tem notícia.

O primeiro presidente da província veio de Portugal com a missão de criar as vilas do Piauí. Marvão era o nome de uma cidade portuguesa. Assim surgiu Marvão, que depois virou Castelo do Piauí.


A instalação da província ocorreu em 13 de dezembro de 1762. João Pereira Caldas doou uma légua de terras para a construção de 19 edificações. A mistura dos Cardoso com os Vasconcelos começou a povoar a região.


O casarão mais antigo ainda conserva teto e piso originais. Ele foi erguido por Hermelino Cardoso de Vasconcelos. Sua neta, dona Conceição Maria, ainda mora no casarão. Ela conta que a construção foi feita pelos escravos.


Um outro casarão, que hoje funciona a casa paroquial, ainda guarda livros de batismo de 1879. Em um deles consta o batismo de um escravo, chamado Francisco e que pertencia ao major Demétrios dos Reis.

Nas proximidades de Marvão surgiu também uma outra localidade: Picos dos André. Seu Carlos Henrique, neto de André, conta que alguns moradores ainda conservam tradições de índios que viviam no local. 


Ele também preserva uma casa de 1888, que pertencia à família de André. Uma curiosidade é que o quarto das mulheres não tinha janelas para que elas não fugissem e para que homens não aproveitassem a madrugada para entrar.


O comerciante Francisco Nilo Cardoso também conserva objetos do final do século XVIII, como estrovengas e tachos, que pertenciam à fazenda Serra Negra. Ele analisa que o tacho tem um tipo especial de solda. Ele mostra também uma telha de 1822, moldada nas coxas dos escravos.


A Vila Marvão foi elevada a cidade em 15 de dezembro de 1848. Desde então a religiosidade e a beleza das formações rochosas são a marca do povo de Castelo.



Leilane Nunes
leilanenunes@cidadeverde.com
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