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"O trabalho me salvou", diz viúva de Chico Anysio

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Conversando com Malga Di Paula, dá para entender por que Chico Anysio se apaixonou pela empresária de 42 anos, e com ela foi casado por 14 anos. É impossível ignorar o par de olhos verdes que se inflama cada vez que ela fala apaixonadamente sobre um projeto. E olha que são muitos. Malga presta consultoria para a novela "Salve Jorge", ajudando a autora Glória Perez a montar um retrato fiel da Turquia, tem uma agência de turismo que leva interessados para a região, quer construir um santuário para São Jorge na Capadócia e organiza o Instituto Chico Anysio – que apoia uma pesquisa que investiga a cura para o enfisema pulmonar, além de combater o fumo.

Os olhos verdes só se turvam quando o assunto é a morte do marido, em março do ano passado.

“Chico era uma das pessoas mais generosas que conheci na vida. Ele e minha mãe. Dedicar-me ao trabalho é uma forma de homenageá-lo, já que ele era uma das pessoas mais criativas e produtivas do mundo”, diz com os olhos cheios de lágrimas, mas sem se deixar abater.


Como surgiu o interesse pela Turquia?

Em 2007 fiz uma viagem de turismo para lá e fiquei fascinada com o local. Achava que a cultura turca e a brasileira tinham tudo a ver. Engraçado que já na época achava que podíamos ter essa coisa da Turquia em uma novela. Pensei logo na Glória Perez, que tem o costume de apresentar uma cultura diferente em suas tramas. Voltei de lá encantada e pensando em mil e um projetos, mas nem os próprios turcos que conheci depois, no Brasil, acreditavam que era possível. Um tempo depois, quando a Turkish Airline veio operar no Brasil, esses amigos turcos me indicaram para ajudar a lançar a empresa no país. Uma das coisas que sugeri foi convidar a Glória Perez para conhecer o país. Deu certo e, como eu imaginava, ela se apaixonou pela cultura de lá. Um tempo depois, ela me chamou para ajudar a apresentar a Turquia para a equipe da novela.


No que consiste exatamente seu trabalho de consultora da novela?

Por ter ido muitas vezes à Turquia, conheço cada cantinho daquele país. Não só os lugares turísticos, mas as vilas mais afastadas, lugares que, quem é de fora, talvez não conseguisse ter acesso. Fui mostrando esses lugares para a Glória, e para a equipe da novela, e depois fui ajudando a traduzir hábitos e costumes do povo turco para ela. Um jeito de falar que só se faz no Sul do país, uma crença, um costume. Tem coisas que até os próprios turcos não vão reconhecer como hábito de lá porque pertence a uma determinada região e, quem é de outra, não ouviu falar. A Glória foi pegando tudo isso e traduzindo a Turquia para o brasileiro.

Imagino que o auge da preparação para a novela tenha sido exatamente quando o Chico piorou. Como foi conciliar o trabalho no meio desse turbilhão todo?

O trabalho me ajudava a não pensar muito no que estava acontecendo. Além disso, gostava de chegar ao hospital e contar as novidades no ouvido dele. O Chico foi o meu principal incentivador. Ele sempre acreditou em tudo o que eu fiz, e tenho certeza que de alguma forma ele ainda me olha lá de cima, está vendo tudo o que está acontecendo e me protege. Só me afastei mesmo quando ele piorou muito. Não preciso nem dizer que a Glória foi muito compreensiva nesse momento.


Como foi voltar ao trabalho depois da morte dele?

Foi muito difícil, mas foi a única coisa que me fez sair da cama. Durante um mês fiquei prostrada, sem forças. Retomei com o lançamento do Instituto Chico Anysio, que já estava para sair mesmo antes da morte dele. Tinha dias que resolvia as coisas da cama mesmo. Depois, aos poucos, fui retomando os outros projetos, a novela. Não sou uma pessoa de badalação, de sair, tudo o que faço tem um objetivo, um projeto, algo que vá render alguma coisa mais na frente. O trabalho me salvou.

Qual a sua relação com São Jorge? É devota dele?

Já tinha ido à Turquia muitas vezes, mas não tinha ido à Capadócia. Em uma das vezes cismei de conhecer o lugar em que São Jorge nasceu. O engraçado é que os turcos conhecem muito pouco sobre o santo. Quando cheguei lá, pedi para me levarem ao lugar em que ele tinha nascido, mas nenhum guia sabia onde era. Apenas um sabia de um lugar, que havia sido um monastério, e que tinha uma pintura de São Jorge nas cavernas que abrigavam esse monastério. Tive um encontro muito forte nesse lugar. Não conseguia sair lá de dentro. Parece que alguma coisa me chamava, me puxava para ali. Até que tive um insight, como se alguém me soprasse uma ideia. E decidi construir um santuário para São Jorge ali para que todos soubessem de sua história. Tentei conseguir a licença, mas não deu certo. Depois, conheci uma história de que São Jorge havia nascido, na verdade, no Vale de Guzeloz, que é uma vila muito pobre e mais afastada da Turquia. Achei que era mais um sinal. Construir uma coisa para mudar a vida de outras pessoas, ajudá-las. Já consegui a licença para construir o santuário lá, e agora trabalho na captação de recursos. Em janeiro vamos lançar o Marcas de São Jorge, que vai ser uma rota turística para essa região. Vai ser uma viagem de devoção, onde as pessoas vão poder conhecer a vila, as árvores dos pedidos – que vai ser mostrada em “Salve Jorge” -, e que vai terminar em Israel, onde o corpo de São Jorge está enterrado.

Fonte: EGO
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