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Peritos começam exumação de restos mortais de ex-presidente

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A exumação dos restos mortais do ex-presidente João Goulart começa nesta quarta-feira (21) em São Borja (RS). Durante a tarde, peritos da PF (Polícia Federal) e outros requisitados pela CNV (Comissão Nacional da Verdade), com o apoio da Polícia Militar do Rio Grande do Sul e da prefeitura de São Borja, vão iniciar os preparativos do trabalho no cemitério Jardim da Paz. O trabalho é necessário para a logística de traslado e para a preservação e segurança do jazigo até a data da exumação.  


A CNV, a SDH (Secretaria de Direitos Humanos) da Presidência da República, a PF e a família Goulart apresentaram hoje os detalhes técnicos sobre a missão preparatória e sobre a exumação e as perícias que serão realizadas nos restos mortais do presidente João Goulart.  

Duas razões levaram a família a manifestar o interesse em exumar o corpo. Para esses órgãos e a família, não há dúvida que o presidente João Goulart foi monitorado pela Operação Condor, um plano de apoio mútuo entre as ditaduras do cone sul, usado para eliminar adversários políticos destes regimes.  

Outra forte suspeita é de que Jango pode ter sido alvo de um plano de assassinato, como relata o ex-agente uruguaio Mario Neira Barreira, e como sugerem documentos relativos ao monitoramento, que alcançou também a família do presidente.  

Os restos mortais do ex-presidente serão transportados da cidade gaúcha até Brasília, onde serão analisados por peritos nacionais e estrangeiros. Depois, voltam a São Borja.   

Além disso, uma comissão municipal participará do processo de exumação e representantes da cidade estarão presentes na reunião pericial a ser realizada em Brasília, no próximo dia 17 de setembro.  

Por fim, a CNV e demais órgãos envolvidos vão fazer uma audiência pública em São Borja para firmar um compromisso público para o retorno dos restos mortais à cidade após o trabalho pericial.  

São Borja é conhecida como a terra dos presidentes. Nasceram na cidade os ex-presidentes da República Getúlio Vargas e João Goulart. Também foi enterrado na cidade, além de Vargas e Goulart, Leonel Brizola, ex-governador do Rio Grande do Sul e do Rio de Janeiro e líder da campanha da legalidade, que permitiu que Jango assumisse o poder em 1961, após a renúncia de Jânio Quadros. 


Fonte: R7
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