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Beija-Flor é campeã do Carnaval com desfile polêmico

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Olha a Beija-Flor aí, gente! Com a voz inconfundível do intérprete Neguinho da Beija-Flor, uma das maiores campeãs da história do Carnaval do Rio de Janeiro, chega ao seu 13º título. A escola é a campeã do Carnaval deste ano. A beija-flor adentrou a Sapucaí na noite desta segunda-feira – foi a terceira do dia a pisar na avenida. O enredo mostrado no sambódromo é alvo de polêmica: a história da Guiné Equatorial foi contada durante quase uma hora e 20 minutos, mas as mazelas do país ficaram longe da passarela do samba. 

A escola de Nilópolis desfilou na Sapucaí o enredo “Um Griô conta a história: um olhar sobre a África e o despontar da Guiné Equatorial. Caminhemos sobre a trilha de nossa felicidade.” O tema ganhou muita polêmica por ter sido patrocinado e exaltar as belezas de um país governado há mais de 30 anos por um ditador que é acusado de infringir diversos direitos humanos e a liberdade de imprensa.

Na Sapucaí, a Beija-Flor não empolgou tanto como escolas que vieram antes. Não houve surpresas como as que apareceram no desfile da Mocidade Independente de Padre Miguel, do carnavalesco Paulo Barros, e tampouco houve o brilho exibido pela Portela logo antes. Mesmo assim, a apresentação da escola foi competente, com riqueza de detalhes e sem erros graves. Pode ser o suficiente para o título aparecer na quarta-feira.

Por uma hora e 20 minutos, a história da Guiné Equatorial foi contada. Sem críticas, houve espaço para enaltecer as belezas naturais do país através do relato de um griô, espécie de contador de histórias na lenda popular africana.

De onde vem a polêmica do desfile?

A Beija-Flor foi patrocinada pelo governo da Guiné Equatorial para contar a história do país africano. De acordo com o jornal O Globo, a fortuna paga chega a R$ 10 milhões, valor não confirmado e nem negado pela escola de samba. Obviamente, na Sapucaí só foram mostradas facetas positivas do território, não os – inúmeros – aspectos negativos do país.

A Guiné Equatorial é comandada desde 1979 por Teodoro Mbasogo, em uma das ditaduras mais longínquas do planeta na atualidade. O presidente foi quem pagou pelo desfile – tem uma das maiores fortunas entre líderes mundiais, segundo a Forbes –, em uma tentativa de melhorar a imagem do seu país. No último mês, a Copa Africana de Nações de futebol foi disputada na Guiné Equatorial.

Segundo ONGs, Mbasogo é acusado de infringir diversos direitos humanos em seu mandato. O país carrega na alma a pobreza, em contraste com a riqueza de seu governante. O filho do ditador está na Sapucaí com uma comitiva local para conferir de perto o desfile da escola de samba. O embaixador da nação no Brasil foi homenageado em um carro.

Abram alas para Cláudia Raia

Integrante tradicional da escola de Nilópolis, Cláudia Raia para variar reinou na avenida. Desta vez, a musa apareceu logo atrás do carro abre-alas, que contava com uma floresta e mulheres nuas para mostrar a exuberância da África. Além da atriz, outras musas esbanjaram corpos lindos pela escola, como a Rainha da Bateria Raíssa Oliveira. O diretor global Boni, homenageado pela escola no ano passado, esteve no desfile logo à frente da bateria.

Samba-enredo e bateria empolgam

Apesar do tema ter virado motivo de discussão, o samba-enredo e a bateria animaram o público na Sapucaí – Neguinho da Beija-Flor com certeza ajuda muito nisto. Especialmente os ritmistas, que cadenciaram bem a batida com bossas em diversos trechos da música. Novamente, houve a presença de frigideira entre os instrumentos, culminando em um som metálico. 

Fonte: Terra

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