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FMS investiga relação entre casos de viroses e doenças neurológicas

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A Fundação Municipal de Saúde (FMS) investiga a relação entre o número de doenças neurológicas e os casos de viroses como dengue, zika e chikungunya. O levantamento apontou que, em Teresina, nos meses de março e abril, houve mais de 500 notificações de dengue por semana. Entre as doenças que afetam o sistema neurológico estão mielite transversal, encefalite e a síndrome de Guillain-Barré.

O médico Marcelo Adriano, da Vigilância Epidemiológica de Teresina e neurologista do Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella, explica que estas doenças aparecem logo após os pacientes contraírem uma virose, transmitida por um mosquito. A síndrome de Guillain-Barré é uma das mais preocupantes e compromete a força, a sensibilidade dos braços e pernas- o paciente pode deixar de caminhar- e até mesmo da musculatura respiratória.  Em 2014, 17 pessoas foram confirmadas com a doença e, neste ano, até o momento já foram registrados 31 casos, o que corresponde a um aumento de 82%, só até o final do mês de junho.

O levantamento da FMS apontou ainda que a maioria dos acometidos são do interior (45%), seguidos de pacientes de Teresina (35%) e 20% de outros estados.

“O diagnóstico da Guillain-Barré é clínico, feito no consultório com o neurologista. Essa doença aparece logo após um quadro de virose. A defesa do próprio organismo, às vezes, é excessiva  e as substâncias que o organismo produz contra o vírus podem agredir os nervos dos pacientes. Essa síndrome surge de duas há três semanas após a infecção viral”, disse Marcelo Adriano.

Os casos de mielite transversal e encefalite também aumentaram significativamente , sendo 21 registros, no ano passado, e 47 neste ano. Entre os principais sintomas da primeira doença estão a sensibilidade no corpo-podendo deixar de caminhar- e a perda do controle para evacuar e urinar. Já na encefalite ocorrem alterações de comportamento e personalidade, crises de comportamento, o que pode levar o paciente ao coma.

"Estas duas condições podem ocorrer pela ção direta do vírus, diferente do  Guillain-Barré, ou por ação de susbtancias que o organismo produz contra o vírus", explica.

O Ministério da Saúde já foi notificado sobre a incidência destas doenças pós-infecciosas. A pesar do elevado número de notificações, nenhum registro de Zika ocorreu no Piauí, mas amostras de sangue estão sob análise no Laboratório de Referência Nacional, o Instituto Evandro Chagas. 

O médico alerta ainda que a melhor forma de prevenção é a manutenção de terrenos e quintais limpos, para evitar a proliferação dos mosquitos transmissores. 

 

Graciane Sousa
[email protected]

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