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Extensão rural é importante para o avanço na produção, diz ex-ministro no PI

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Foto: Sebrae / PI

O ex-ministro da agricultura e produtor rural, Alysson Paolinelli, esteve em Teresina ministrando a palestra “A Importância da Extensão Rural no Empreendedorismo do Campo”. O evento foi uma realização do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas, Sebrae no Piauí, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural, Senar no Piauí.

Paolinelli fez uma viagem na história da agricultura brasileira, destacando que para o setor continuar avançando é preciso que os governos incentivem a extensão rural. “Ninguém faz nada sem conhecimento. Pagamos caro por ter demorado a acreditar no nosso potencial e a investigar alternativas para o empreendedorismo no campo”, disse.

A agricultura, há algum tempo, era desenvolvida comercialmente apenas nas regiões temperadas, onde o clima favorecia o cultivo de diversas espécies. Por isso, países como os Estados Unidos saíram na frente e se destacaram na produção mundial de alimentos.

O plantio em regiões tropicais, como é o caso do Brasil, era um desafio. Inicialmente, procurou-se plantar produtos que não eram cultivados nas regiões temperadas, como foi o caso do café, que ocupou 80% da produção mundial.

A riqueza gerada pelo café trouxe a industrialização. Mas o preço desse avanço era caro. Como não detínhamos o conhecimento, precisávamos importar tudo: projetos, tecnologia e até matéria prima. Os gastos eram absurdos, o que tornou esse modelo de expansão inviável.

“Foi aí que começaram a perceber que precisávamos de conhecimento. E em 20 anos de estudo, conseguimos desenvolver a primeira agricultura tropical do globo. Mas para que o país continue figurando entre as grandes potências agrícolas é preciso que o conhecimento, a tecnologia e a inovação cheguem aos produtores das regiões mais distantes do país”, destacou Alysson Paolinelli.

Paolinelli disse ainda que é nesse contexto que a extensão rural se torna importante. "Precisamos de programas estruturados e eficientes, com metas definidas. Crescemos na agricultura comercial e nos esvaziamos na agricultura de subsistência. É necessário disseminar o conhecimento, mostrar as alternativas de mudança. O Brasil tem capacidade competitiva, mas precisamos identificar os caminhos certos para o avanço. Temos espaço, luz, calor e água. O que nos falta são políticas públicas eficazes para incentivar o empreendedorismo no campo”, acrescentou.

O Matopiba – zona que compreende áreas nos Estados do Maranhão, Piauí, Tocantins e Bahia – também foi destaque na palestra do ex-ministro. Alysson Paolinelli falou que essa região tem tudo para se tornar o maior “corn belt” tropical do globo, usando como referência o cinturão do milho, nos Estados Unidos. E o Matopiba tem sido a aposta do Governo Federal para incentivar pequenos e médios produtores na região dos Cerrados

“Ainda temos muito espaço para plantar. Os Cerrados compreendem uma área de 200 milhões de hectares, das quais apenas 35 milhões estão sendo aproveitadas. Se conseguirmos disseminar conhecimento e novas tecnologias, mais agricultores poderão avançar na produção de alimentos. Nossa agricultura já é considerada a mais sofisticada e conservacionista do mundo. Cultivamos a terra ao invés de degradá-la. Não podemos regredir. Mas se não disseminarmos o conhecimento, perderemos espaço no mundo globalizado”, comentou Paolinelli.

O ex-ministro falou ainda das riquezas do Piauí. “Esse Estado é muito potente. Tem um dos melhores cerrados brasileiros, um clima fabuloso, além do artesianismo. Onde perfura um poço, a água jorra. Precisamos estimular a pesquisa e incentivar mais pessoas a empreenderem no campo”, finalizou.

Alysson Paolinelli vem se dedicando à causa da agricultura brasileira a mais de quatro décadas. Entre os muitos trabalhos que desenvolveu destaca-se a técnica que permitiu o plantio no Cerrado brasileiro, e que fez da região uma das mais promissoras fronteiras agrícolas do país, ainda na década de 70.

Em 2006, recebeu o Prêmio Mundial da Alimentação e da Agricultura, World Food Prize, como uma das personalidades que contribuíram para o aumento da oferta mundial de alimentos.

Da Redação
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