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Com forte calor, atletas passam mal em evento-teste para Olimpíadas

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Fotos: Cassius Leitão

A prova mais longa do atletismo mundial não deu trégua para os participantes do evento-teste das Olimpíadas do Rio de Janeiro, no Recreio dos Bandeirantes, Zona Oeste da capital fluminense. Com a presença de atletas de sete países, foi realizada uma prova de 50 km da marcha atlética, competição que demora mais de quatro horas. O Equador dominou o pódio. O vencedor foi Claudio Flores, que completou o percurso em 4h23m37s, seguido por Rolando Pani (4h34m09) e Jonnathan Cabrera (4h46m21). Dos 18 atletas que largaram, apenas sete completaram as 25 voltas no circuito de 2 km, o mesmo do percurso olímpico, em agosto. Nenhum brasileiro completou a prova. O último a resistir foi Samir Cesar Nascimento, depois de 41 km. Os outros que ficaram no meio do caminho após passarem mal foram Rudney Nogueira e Leandro Clementino. Resultado do calor de 38 graus registrados na prova.

- Passei muito mal, senti dor no estômago, que não se comportou bem. Eu vomitei bastante e não deu para continuar. Sem vento e sem sombra nenhuma no percurso. Não foi nada que eu comi, foi o clima mesmo. Está muito quente. Às vezes, isso acontece com o clima quente e úmido. Fiquei um pouquinho ali (ambulância), me atenderam bem, mas o estômago não está legal. O sentimento é de frustração, me preparei tanto para chegar até aqui - explicou Rudney. 

O evento-teste valia índice olímpico, mas isso ficou bastante difícil para os competidores. Os chineses, por exemplo, optaram por fazer apenas dez dos 50 quilômetros. 

Martinho Nobre, gerente de atletismo do Rio 2016 e organizador do evento-teste, lembrou que durante as Olimpíadas a temperatura não deve ser tão alta.

- Em agosto, a temperatura nunca será nem próxima disso aqui, estaremos no inverno. Não se espera nenhum problema de temperatura. Temos que sempre recordar: atletismo é um esporte a céu aberto. Se está calor, está para todo mundo que largou. Faz parte, infelizmente. Nós sabíamos que ia estar quente, porque é verão no Rio, na beira da praia... No ano passado, em Blumenau, estava o mesmo calor na Copa Brasil. O calor é um desafio nosso, porque a Copa é sempre em fevereiro, a gente não escapa disso. O único prejuízo que se tem é que é difícil ter uma marca boa, porque o atleta vai se preservar e fazer um tempo mais alto do que faria normalmente - comentou Martinho.  

Outro que não conseguiu completar a prova foi Leandro Clementino. Ele também sofreu com o calor e saiu de maca da prova. Os estrangeiros, claro, também não se deram bem na disputa. Salazar Edison, do Equador, um dos países mais tradicionais da modalidade, também não completou o percurso. 

Claudio dos Santos, que já participou diversas vezes do Campeonato Mundial, tentava o índice olímpico para a disputa dos 50 km, mas também sucumbiu aos quase 40ºC. 

- O calor e a umidade tornaram a prova ainda mais difícil. O percurso é até bom, já que não tem muita subida - disse Claudio. 

Nenhum dos brasileiros conseguiu terminar a prova. O último a resistir foi Samir Sabadin. Ele desmaiou a 9 km para o fim e só recobrou os sentidos dentro da ambulância.

- Quando acordei, estava na ambulância. Me perguntaram o que eu sentia e falei que vontade de voltar a marchar - contou o marchador, visivelmente contrariado - Infelizmente, não há como lutar quando o corpo não encontra forças - concluiu Samir.

Embora tenham dominado a disputa, os equatorianos também foram castigados pelo clima. Campeão dos 50 km e com o índice olímpico para 2016, Claudio Flores fez uma preparação intensa nas montanhas de até 2.500m de Cuenca, no Equador, mas, ainda assim, sofreu com o desgaste. Ele espera retornar antes dos Jogos para um período de aclimatação. 

- A prova foi muito forte. Estava muito calor. Estou muito feliz por ter levado uma medalha para o meu país. Infelizmente, não conseguimos melhorar as nossas marcas por conta do clima, mas foi muito bom conhecer o percurso das Olimpíadas e vencer a prova - contou Flores.

O calor hoje foi o maior obstáculo. O desafio era completar a prova. Eu comecei a minha prova, no sábado, às 6h30. Às 8h30, eu já estava livre. Foi aí que o sol começou a pegar. Sei que agosto será diferente, mas, precisamos estar preparados" 

Caio Bonfim, campeão dos 20 km

Vencedor da prova de 20 km, disputada no sábado, Caio Bonfim marcou presença na disputa deste domingo, na torcida pelos brasileiros. 

- O calor hoje foi o maior obstáculo. O desafio era completar a prova. Eu comecei a minha prova, no sábado, às 6h30. Às 8h30, eu já estava livre. Foi aí que o sol começou a pegar. Sei que em agosto será diferente, mas, precisamos estar preparados para o calor - contou o atleta, sexto colocado no Mundial de Pequim, na China, classificado para os 20 km e os 50 km das Olimpíadas. 

RESULTADOS
1-Claudio Flores (ECU) - 4h23m37
2-Rolando Pani (ECU) - 4h34m09
3-Jonnathan Cabrera (ECU) - 4h46m21

Fonte: GE

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