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"Toda vez que Lobão falou mal de mim eu gostei", diz Caetano

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João Paulo Valadares/Folha Imagem

Baiano Caetano Veloso canta com
Banda Cê, no "Programa do Jô",
na Globo, em São Paulo
 
Caetano Veloso é a atração do "Programa do Jô" (Globo) na noite desta quinta-feira (28), após o "Jornal da Globo". A entrevista com o cantor baiano vai ocupar toda atração, que faz parte da série comemorativa de 20 anos de Jô Soares no comando do talk show --contando com o período no SBT, onde ficou de 1988 até 2000, ano em que foi para a Globo.

A Folha Online acompanhou a gravação, na tarde desta quarta (27), na sede da TV Globo em São Paulo. Durante a conversa, Caetano cantou a música "Lobão Tem Razão", que vai entrar em seu próximo disco. A canção é uma resposta ao cantor, que já falou mal de Caetano muitas vezes em entrevistas.

"O Lobão falou tanto mal de mim através das décadas e depois fez a música 'Para o Mano Caetano' [2001]. Aí me veio na cabeça fazer um negócio para ele. Toda vez que ele falou mal de mim eu gostei", afirmou Caetano Veloso, que não dava entrevistas a Jô Soares havia quatro anos.

O cantor disse que seu som atual é uma mistura de rock com samba. No palco, foi acompanhado da Banda Cê, formada por Marcelo Callado (bateria), Pedro Sá (guitarra) --que foi amigo de infância dos filhos de Caetano-- e Ricardo Dias Gomes (baixo e teclados). Caetano cantou músicas como "Desde que o Samba É Samba", com a platéia, formada majoritariamente por jovens, fazendo coro.

Durante a conversa com Jô, acompanhado por seu violão, o músico também deu algumas canjas, como "Alegria, Alegria" e "Sampa", música-homenagem a São Paulo que tocou a pedido de Jô Soares. "'Sampa' bate direto no coração", disse o apresentador, emocionado.

Caetano elogiou a cidade e disse ter achado "muito bonita" a ponte Octavio Frias de Oliveira, que fica em frente ao prédio da Globo.

 

Ex-tímido

Caetano acerta posição com o
diretor do "Programa do Jô",
Willem van Weerelt
 
Jô Soares lembrou Caetano seu comportamento tímido nos anos 60, quando, antes da fama, o músico freqüentou o programa de TV "Jô Show", ao lado da irmã Maria Bethânia.

"Eu sou um ex-tímido", disse Caetano, provocando gargalhada no baixista Bira, do Sexteto. Jô ainda quis saber como está a mãe do músico, dona Canô Velloso, que completará 101 anos no próximo 16 de setembro. "Ela está bem. Mas, esse ano, só vi minha mãe em março. Estou há um tempão sem ir à Bahia", disse o cantor.

Ele ainda afirmou escrever sempre que pode no blog "Obra em Progresso", que apresenta o processo criativo de seu novo CD, intitulado de "Transamba".

Caetano ainda falou sobre tentativas de parceria em canções com Tom Jobim, a quem homenageou nos últimos dias com um show ao lado de Roberto Carlos. Segundo ele, era praticamente impossível compor ao lado do maestro.

"O Tom atrapalhava, metia o bedelho, eu não consegui". Ele disse ainda ter timidez em compor na frente dos outros. "Fico com pudor". E elogiou Chico Buarque. "O Chico é deslumbrante, ele é bom improvisador, é rápido em rima, tem um talento para poesia inacreditável", contou, lembrando os tempos em que disputava quem mais lembrava letras de músicas com Chico no programa "Essa Noite se Improvisa", na TV Record dos anos 60.
 

João Paulo Valadares/Folha Imagem

Caetano Veloso conversa com Jô Soares, no "Programa do Jô", na Globo; compositor baiano falou sobre a música que fez para Lobão e disse ter gostado de todas as vezes que o roqueiro falou mal dele na imprensa

 
 
Fonte: Folha Online
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