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Após grampos, Lula afasta cúpula da Abin

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva determinou o afastamento temporário de toda a cúpula da Abin (Agência Brasileira de Inteligência). O afastamento atinge o diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda.

O presidente do STF (Supremo Tribunal), Gilmar Mendes, já foi comunicado da decisão. O Palácio do Planalto ainda não confirma o afastamento. Mendes teria sido grampeado por agentes da Abin, segundo reportagem da revista 'Veja'.

A decisão foi uma resposta às acusações de que autoridades dos três Poderes seriam alvo de grampo telefônico ilegal. A reação oficial saiu após um dia de reuniões no Palácio do Planalto e de cobranças públicas para que o presidente Lula adotasse medidas rigorosas, capazes de evitar uma 'crise institucional'.

A divulgação pela revista 'Veja' de que autoridades do governo, do STF e do Legislativo estariam sofrendo monitoramento clandestino alterou a agenda do presidente Lula. A segunda-feira foi atípica no Palácio do Planalto.

Logo no início da manhã, Lula recebeu o presidente do STF, o vice-presidente do tribunal, Cezar Peluso, e o ministro Carlos Ayres Britto, que preside o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Mendes cancelou viagem que faria à Coréia do Sul para cuidar pessoalmente do caso.
 

À cúpula do Supremo, o presidente Lula manifestou 'indignação e preocupação' com as escutas clandestinas, segundo informou o porta-voz Marcelo Baumbach.

À tarde, Lula recebeu o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN) e os senadores Demóstenes Torres (DEM-TO) e Tião Viana (PT-AC). De acordo com a revista "Veja", os três seriam alvo de escuta.

Segundo Garibaldi, o presidente teria admitido o risco de "descontrole" no uso de grampos telefônicos.

O assunto foi novamente discutido na reunião de coordenação política, quando o presidente selou o destino de Paulo Lacerda.

Monitorados

Em reportagem na edição desta semana, a revista "Veja" publicou trecho de uma conversa telefônica do presidente do Supremo, Gilmar Mendes, com o senador Demóstenes Torres, que teria sido gravada em 15 de julho.

De acordo com a reportagem, a transcrição do diálogo foi repassada por um agente da Abin, impedida legalmente de realizar interceptações telefônicas.

O suposto grampo ilegal aconteceu uma semana depois que a Polícia Federal deflagrou a Operação Satiagraha, na qual foi preso o dono do Opportunity Daniel Dantas, suposto chefe de um esquema de corrupção. O banqueiro deixou a prisão depois que o presidente do Supremo concedeu habeas corpus.

A reportagem de "Veja" sustenta ainda que os telefones dos ministros José Múcio (Relações Institucionais) e Dilma Rousseff (Casa Civil), o ministro do STF Marco Aurélio Mello, e o chefe de gabinete do presidente, Gilberto Carvalho, também foram grampeados.

Fonte: Folha Online

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