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Policiais prendem polonês acusado de aprisionar e estuprar filha

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A polícia investiga denúncias de que um homem polonês aprisionou e abusou sexualmente de sua filha durante os últimos seis anos, em uma relação de incesto da qual nasceram duas crianças. Os policiais buscam amostras de DNA das crianças que, segundo a jovem, foram entregues à adoção.

Os policiais querem encontrar as crianças para determinar se são efetivamente filhos do polonês identificado como Krzysztof B., em um caso que remete ao do austríaco Josef Fritzl, acusado de aprisionar a sua filha em um porão por 24 anos e de ser pai de seus sete filhos.

O polonês foi detido na sexta-feira (5) na cidade de Siedlce, depois que sua mulher e filha fizeram as denúncias.

"Nós temos os registros do hospital do nascimento das crianças e nós vamos tentar encontrá-las para realizar exames de DNA que determinem sua paternidade", disse o porta-voz da polícia nacional Mariusz Sokolowski.

Alicja, 21, disse à polícia que seu pai a estuprou repetidamente enquanto a manteve em cativeiro em um quarto no qual as portas não tinham maçanetas. "Ele me dizia que tinha direitos sobre mim e ameaçava matar a mim, minha mãe e meu irmão pequeno se não o deixasse fazer", disse a jovem, em entrevista publicada nesta terça-feira pelo jornal "Fakt".

A polonesa disse ainda que se sentia "um pedaço de carne". "Antes, era uma menina feliz, com sonhos, ilusões, como qualquer adolescente. Queria continuar meus estudos e, um dia, sair do campo", continuou. "No começo, pensei que era um engano, uma bobagem de meu pai, mas logo ele começou a me fazer mal, meu prendeu, me apertou o corpo enquanto arrancava minha calcinha", descreveu a jovem.

O caso está sendo acompanhado por promotores que estão conduzindo a investigação, informou o porta-voz da polícia regional Jacek Dobrzynski. Segundo o promotor Miroslaw Zoch, o homem está sendo investigado sob as acusações de estupro de menor, incesto e ameaça. Ele afirmou, contudo, que é "muito cedo" para dizer se ele é efetivamente o pai dos dois meninos. "Nós precisamos primeiro verificar as evidências reunidas pela polícia."

O homem, que segundo a polícia estava tentando fugir para a Itália no momento da prisão, foi colocado em detenção provisória por três meses. Foi indiciado por estupro e seqüestro e pode ser condenado a 15 anos de prisão.

Sofrimento

A jovem deixou a escola aos 14 anos, quando começou a sofrer os abusos. "Ela viveu o inferno com o pai. Foi estuprada, amarrada, ameaçada com uma faca", relatou o policial Jacek Dobrzynski, que participou da investigação. "Minha mãe me dizia que nós escaparíamos, que se divorciaria, que tudo ficaria bem. Mas papai era muito forte e não permitiu", disse, segundo reportagem do jornal.

A mãe da jovem, identificada como Teresa B., corroborou com a história. Em uma entrevista a rede TVN24, ela disse saber do que acontecia com sua filha, mas que não foi à polícia por temer que o marido cumprisse as promessas de matar a filha. "Claro que sabia que tudo estava mal, mas o que podia fazer? Ele me ameaçava, por isso nunca disse nada e calava. Tinha medo", disse Teresa.

Sokolowski afirmou ainda que Alicja teve contato com o mundo exterior, diferentemente da filha de Fritzl, incluindo visitas ao hospital, onde deu a luz aos dois meninos.

Ele disse que o primeiro menino nasceu em fevereiro de 2005 na cidade de Wroclaw, onde a família vivia até cerca de três anos atrás. O outro nasceu em 2007. Segundo a polícia, o pai forçou a menina a entregar os filhos para a adoção. "O principal problema foi a pressão psicológica extrema que ela sofria, a intimidação", disse Sokolowski, acrescentando que Krzysztof ficará detido até o fim da investigação.

Fonte: Folha

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