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A pintora Frida Kahlo é tema de história em quadrinhos de artista belga

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Símbolo feminista, pintora renomada, ícone pop, Frida Kahlo teve uma vida cheia de reviravoltas e dramas. Casada, durante muito tempo, com o pintor Diego Rivera, a mexicana enfrentou a doença, as dores e fez de tudo isso tema para a arte que produziu. Com personalidade marcante, Frida teve uma biografia repleta de nuances e capítulos, digna de ser representada em livros e filmes. Uma parte dessa história está presente na HQ Frida Kahlo - Para que preciso de pés quando tenho asas para voar?.

Lançada agora no Brasil, pela editora Nemo, a obra foi escrita pelo belga Jean-Luc Cornette e ilustrada pela artista, também da Bélgica, Flore Balthazar. A graphic novel apresenta um capítulo da história de Frida pouco lembrado: a intensa convivência da pintora com o líder revolucionário Leon Trostky.

Perseguido e forçado ao exílio após a ascensão de Stálin ao poder na Rússia, Trostky se refugiou no México a convite do pintor Diego Rivera e do então presidente do país Lázaro Cárdenas. Trotsky passou a morar, com a esposa Natalia, na casa de Diego e Frida.

A história contada no livro começa em 1937, justamente quando Trotsky chega ao México e se mistura à vida e ao relacionamento conturbado de Frida e Diego. Boêmio e libertário, o casal vive um romance intenso e cheio de complicações e traições, de ambas as partes. Os relacionamentos extraconjugais são retratados na HQ e ajudam a entender como funcionava a relação entre dois dos maiores artistas mexicanos.

Um desses casos ocorre exatamente entre Frida e Trotsky. Os dois vivem uma aventura ardente, que perdura por cerca de um ano. O romance segue mesmo com Trostky vivendo, como convidado de Diego, sob o mesmo teto do pintor e da esposa russa, Natalia.

O livro mostra também como a relação foi forçada a acabar por pressão de membros do partido comunista. Eles acreditavam que a história poderia abalar a reputação do revolucionário. Àquela altura, Trotsky tentava se livrar das diversas acusações, como a de que era um espião traidor, feitas por Stálin contra ele. Quando Diego descobriu o caso, a relação já não existia.

Além de relações menos importantes para a história dos personagens, o livro revela como tanto Diego quanto Trotsky tentaram se envolver com a irmã de Frida, Cristina. Diego chega, de fato, a se relacionar com ela.

Em meio a tantas brigas, desencontros e traições, a relação de Diego e Frida é desvelada, no entanto, como vital para os dois na obra. Apesar do sofrimento e dos problemas da relação, tanto Frida quanto Diego aparecem como perdidamente apaixonados um pelo outro até a morte.

O livro segue até o fim da estada de Trotsky no México. O revolucionário permaneceu no país até ser assassinado na própria casa em 1940, por um infiltrado, a golpes de machado, que causaram graves ferimentos na cabeça do russo. Na HQ, fica claro como o assassino entrou no círculo íntimo da família de Trotsky.

Arte

Ao mesmo tempo em que se dedica a contar a passagem de Trotsky pelo México, a HQ apresenta também um pouco da trajetória artística de Frida Kahlo. No começo da história, a pintora ainda é desconhecida e luta para alcançar reconhecimento com suas obras.

As primeiras exposições e os primeiros convites para eventos são retratados pela narrativa. As temporadas que a pintora passou em Nova York e na França também são apresentadas na HQ. Frida detestava a França (preferia a cidade americana), mas manteve uma relação de amizade muito forte no país com o ícone da vanguarda artística Marcel Duchamp.

Um dos pontos altos dessa parte da história de Frida na HQ é o momento em que um quadro de sua autoria é comprado pelo Louvre. A pintora chegou a duvidar de que fosse verdade. Fica evidente também, no quadrinho, a recusa da artista aos rótulos; o de surrealista, por exemplo, a incomodava profundamente.

Há quem considere que a personalidade e a biografia de Frida foram mais importantes do que a própria obra para torná-la tão conhecida. Na HQ, há trechos que darão força para quem acredita nessa teoria. Em um momento da narrativa, por exemplo, a mexicana diz ao marido: “Você sabe, Diego, não quero ser conhecida como pintora, e sim como uma personalidade interessante”.

Fonte: Correio Braziliense 

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