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Cúpula da PF diz que não sabia de participação da Abin na Satiagraha

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O diretor-geral da Polícia Federal, Luiz Fernando Corrêa, afirmou nesta quarta-feira (17), em depoimento na Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência do Congresso Nacional, que a cúpula da instituição não sabia da participação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) na Operação Satiagraha da PF.

?Não houve nem uma comunicação informal nas instâncias superiores da polícia deste procedimento?, disse o diretor-geral da PF. Corrêa afirmou que a conduta do delegado Protógenes Queiroz, que presidiu a operação, é alvo de inquérito. Ele afirmou, no entanto, que os servidores da Abin que trabalharam no edifício sede da PF em Brasília tiveram a entrada registrada.
 
O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, afirmou que dentro de sua instituição a participação era conhecida e autorizada. ?A atuação da Abin foi legítima. Dentro da Abin, as orientações de baixo para cima e as autorizações ocorreram. Se em relação à Polícia Federal não houve isso, eu lamento e imaginava que isso estivesse ocorrendo. Mesmo assim, até agora não vi nenhum ato que pudesse ser imputado ilegalidade na ação dela, muito menos crime?.
 
O diretor-geral da PF confirmou que recebeu um pedido de Lacerda para que desse atenção especial à Satiagraha assim que tomou posse, em setembro do ano passado. Lacerda foi antecessor de Corrêa no comando da PF.

O atual diretor-geral afastado da Abin também confirmou ter feito o pedido. Corrêa afirmou ter garantido todo apoio à investigação comandada pelo delegado Protógenes. O ministro-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Jorge Félix, por sua vez, disse que não sabia da Operação da PF. ?Eu acompanho apenas as operações da Abin e não as cooperações com outras instituições?. A Abin é subordinada à GSI.

Também presente na comissão, o diretor de contra-inteligência da Abin, Paulo Maurício Fortunato Pinto, detalhou como aconteceu a cooperação com a investigação presidida por Protógenes. De acordo com sua exposição, 56 agentes tiveram alguma participação na operação. Ele ressaltou, no entanto, que foi realizado um rodízio de servidores e que o número de funcionários em ação nunca foi superior a 16.

Menezes
Em depoimento no Congresso, o diretor-geral da PF fez uma breve menção à prisão do número dois da instituição, Romero Menezes, na terça-feira (16). Ele citou o caso para mostrar que a PF cumpre sempre suas atribuições.

?Ontem nós passamos por uma situação em que uma investigação no Amapá levantou a suspeição de conduta de um grande delegado, ocupando um cargo relevante, em que houve uma medida judicial e foi prontamente cumprida?, disse Corrêa.

Romero Menezes foi preso suspeito de vazamento de informações da Operação Toque de Midas, da Polícia Federal, que investigou irregularidades em contratos do grupo EBX, do empresário Eike Batista. O número dois da PF é acusado de favorecer um irmão, José Gomes de Menezes Júnior, gerente de uma empresa que trabalha para Eike. O delegado Romero Menezes foi solto na madrugada desta quarta-feira após um habeas corpus.


 
Fonte: G1


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