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'A gente pode, pela música, tocar a alma do outro', diz Lenine

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Sábado (8/7) e domingo (9), a Chapada dos Veadeiros receberá a 5ª edição do Festival Ilumina. O evento promove a integração entre corpo, mente e espírito em formato multidisciplinar, que abriga de shows a práticas de yoga, de alimentação a vivências ecológicas. Entre as atrações confirmadas está o mestre espiritual Sri Prem Baba, que abre a programação. Um dos convidados é o recifense Lenine, com show definido como “transcendental”. O cantor tem uma carreira em completa consonância com as bases do festival. Acredita que a música pode curar.

Lenine nunca escondeu que, desde o início da carreira, só trabalha à base da emoção —  esteja no papel de intérprete autor, compositor, arranjador ou produtor. Mesmo com a carreira de múltiplas faces, ele procura plenitude e concentração total no que faz. Sobretudo quando assume os holofotes. Estar no palco, para Lenine, é mais que mero entretenimento. Artista engajado em assuntos políticos e de cunho ambiental, Lenine acredita que a música pode fazer transcender. No lançamento do último disco, Carbono (2015), reiterou que o instinto para criar canções é a sensação de melhorar o ser humano. “Acredito muito na música como ferramenta de aprofundamento”, afirma

Qual a importância de eventos como o Ilumina em momentos tão caóticos quanto os que estamos vivendo?

Todo tipo de encontro que promove o autoconhecimento é extremamente bem-vindo. Em tempos caóticos ou não, em qualquer tempo, o autoconhecimento é sempre necessário.

De que maneira a música pode auxiliar nesse processo de tomada de consciência? 

Entre todas as expressões que servem como alavanca do conhecimento, acho que a música é peculiar, pois ela pode encurtar o tempo. A gente pode, pela música, tocar a alma do outro de uma maneira direta, sem a necessidade das palavras. Eu acredito muito na música como ferramenta de aprofundamento.

Como esse reconhecimento de um estado elevado de consciência pode ajudar a desemaranhar os nós sociais e políticos dos tempos modernos? 
Acho que música é remédio, é elixir! Com a música você pode questionar tudo, ir na profundidade da psique humana.  Eu acredito em todas essas possibilidades através da música.

Esses processos holísticos auxiliam a compor? 

Essa coisa de compor é mais como uma antena. E aí, você não tem uma forma só, uma mecânica só no compor. São vários estados. Pode ser uma coisa cerebral, doída e que demora. Ou pode ser uma coisa sublime, como uma centelha, que explode e já nasce pronta. Então tem várias maneiras, formas, estados, inclusive esse de autoconsciência, onde, de repente, você psicofona uma música e parece que você não criou, mas que surge ali, do nada.

Como enxerga essa superexposição de alguns gêneros, como o sertanejo universitário, em detrimento de outros? 
A superexposição não se trata nem de gênero, mas de economia, de grana. O fato dela ter mais exposição que outras é sinal de que está rolando dinheiro para alavancar tudo isso. Então não tem muito a ver com gênero, pois isso é cíclico. Sempre existiu e vai continuar existindo. Faz parte do mercado. Ou melhor, do que ainda a gente pode chamar de mercado.

Muitos colegas de profissão têm se posicionado politicamente nos shows. Você também? 
É inevitável não me posicionar politicamente. Eu sou um cidadão como outro qualquer.


Fonte: Correio Braziliense

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Tags: lenineshow