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Dom Jacinto diz que apelo do Natal é a fraternidade: "se não é só uma festa"

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Fotos: Wilson Filho

Todos os anos o período do Natal lembra o que de melhor há no ser humano que possa ser partilhado com o outro. Ao se repetir ciclicamente, o famoso espírito natalino busca revigorar o fortalecimento das boas relações humanas, que preza pela unidade entre os pares, pela caridade e evidencia que o amor de Deus deve ser reproduzido e compartilhado entre as pessoas. Ao considerar a necessidade de renovação em nós na procura por um mundo melhor, o arcebispo de Teresina, Dom Jacinto, lembra da importância de manter vivo o espírito e bondade não apenas nessa época, mesmo entre as adversidades, cultivando o sentimento de empatia e sensibilidade para com o próximo.

Em entrevista ao Cidadeverde.com e à TV Cidade Verde, Dom Jacinto refletiu sobre a necessidade de consciência em relação à construção de uma fraternidade que deve começar por nós mesmos, com pequenos grandes gestos. “É um período que nos convoca pela vinda do Salvador ao encontro do tempo de fortalecimento do amor, de relações humanas. Verdadeiramente o natal é essa festa do encontro entre Deus e o homem e que, como consequência, nos une a nós mesmos. Temos um fator de unidade que é o próprio Cristo que se faz um de nós. Para poder, quebrando as barreiras, derrubando muros e lançando pontes, podermos então nos confraternizar, não apenas com uma ceia, mas uma confraternização real, onde entremos mais no universo do outro, saindo da zona de conforto, para irmos de encontro a outros que estão em situação adversas”, evidenciou o arcebispo.

Dom Jacinto ressalta que o olhar sobre o outro não pode ser restritivo, mas abrangente, para perceber que ao redor de todos estão pessoas que precisam de ajuda. "São pessoas carentes, como presidiários, mendigos, menores infratores ou em situação de risco. Eles clamam para que abramos o coração, percebendo que não estamos em um mundo cor de rosa, mas matizado. E o grande apelo do Natal é que a fraternidade aumente, que aprendamos a construir uma sociedade mais igualitária. Se o Natal não nos trouxer essa consciência, ele fica só em uma festa, em uma data comemorativa, e depois tudo passa. A fé cristã nos incrementa a certeza que a graça do senhor vem e nos potencializa para realizar esse projeto”.

De acordo com o arcebispo, a prática do “fazer o bem sem olhar a quem’ aguça e acaba por alargar a sensibilidade humana, impulsionando a melhoria das relações humanas e melhorando o mundo como um todo. “Creio que não há um caminho mais eficiente do que começar por nós mesmos. É preciso que a gente abra o coração e comece com pequenos gestos. Olhar o outro de uma maneira diferente, estender a mão para que nunca estendeu, dar um bom dia para quem passa. [...] Pode parecer tão pouco, pequeno, mas a gente começa daí. Vamos criando sensibilidade para ver que além dessas coisas triviais, há aquilo que é mais especial, a sensibilidade vai aumentando dos pequenos atos e nós podemos avolumar mais e mais o nível de comunidade, de país e de mundo, porque o mundo muda quando a mentalidade muda”.

Para os que estão em situações difíceis, Dom Jacinto destaca que “não há melhor remédio para um coração dolorido do que o bálsamo de um coração fraterno”. Ele se diz seguro de que “quando se encontra um coração, um ombro amigo, um colo, no sentido de primeiro escutar, acolher, - nós perdemos a capacidade de escutar e dessa forma nós não permitimos o diálogo. - Quando deixamos que a pessoa fale, que ela abra seu coração, ela esvazia sua dor, angústia e aí então ela está capaz também de acolher os nossos gestos, uma palavra de estímulo, de conforto. Às vezes nós nos preocupamos com palavras. As pessoas estão mais atrás de atitudes”. 

Para ele, mais do que palavras essas pessoas querem uma escuta, um olhar amigo, uma mão no ombro, isso ajuda a pessoa a se desarmar, e assim ela voltar a acreditar que ainda existe amor e esperança, porque ainda tem um coração fraterno ao lado. Aí então pode-se entrar pouco a pouco nas suas dores, perspectivas, para que lhes seja anunciada a esperança. Ele lembra que os humanos têm o tesouro da esperança e que confiando nisso como uma missão, as pessoas podem anunciar Jesus Cristo como luz do mundo.

“Aí, sem medo de ser criticado ou tomado como alguém do passado, ou fanático, É possível anunciar Jesus Cristo. É ele realmente quem tem a palavra de vida, é essa luz. Não tenhamos medo, como cristãos, de anunciar que Jesus veio para caminhar conosco nas estradas da vida, na dor, na alegria, no peso do trabalho. Então não estamos mais sozinhos, o filho de Deus veio ao mundo e se tornou um de nós companheiro de viagem e materializa essa companhia nas pessoas que estão conosco, na nossa pessoa, que serve como anjo para o outro, como apoio e estímulo e esperança”, concluiu.

Lyza Freitas
[email protected]

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