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Sem torcida, Vasco perde em casa para o Bangu na estreia do Carioca

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Foi apenas o primeiro jogo da temporada, mas o Vasco já expôs os traumas e instabilidade que insistem em lançar dúvidas sobre o desempenho esportivo. Sem torcida em São Januário, não adiantou mostrar controle das ações no início: dando espaços demais aos contra-ataques do Bangu, o time dirigido por Zé Ricardo acabou derrotado por 2 a 0 na abertura do Carioca.

Eurico Miranda e Julio Brant, dois dos três administradores nomeados provisoriamente pela Justiça até a posse do novo presidente, na segunda-feira, assistiam à partida em pontos separados do estádio. 

Eurico estava na sala da presidência, que ocupou nos últimos três anos; Brant, na arquibancada social, em frente ao portão fechado onde se amontoavam algumas dezenas de torcedores no lado de fora. O relógio ainda corria no primeiro tempo quando surgiu a notícia de que Eurico tentara uma última cartada para evitar a l vitória de Brant no Conselho.

É inevitável que a nuvem de indefinição sobre a gestão do clube tenha efeitos colaterais no elenco. Ontem, por exemplo, não houve regime de concentração: os jogadores apresentaram-se ao técnico Zé Ricardo horas antes da partida. 

É sintomático que, dos sete reforços oficializados pelo Vasco, nenhum tenha passado pelo ritual costumeiro de apresentação oficial, no qual há entrevista coletiva e fotos para a imprensa. Até agora, só dirigentes do Vasco tiveram contato aberto com jornalistas em 2018. O início do ano mostra mais destaque a questões extracampo do que para o futebol.

As turbulências política e jurídica são insuficientes, no entanto, para explicar o resultado de ontem. Na parada técnica do primeiro tempo, Zé Ricardo pedia que seu time mantivesse uma “posse de bola qualificada” — isto é, não confundisse cadência com esterilidade ofensiva. O Vasco teve sua melhor chance pouco depois, aos 25 minutos: Nenê cobrou escanteio e Evander cabeceou na trave.

Além de se mostrar incapaz de furar o bloqueio defensivo do Bangu, o Vasco pouco a pouco passou a ceder demais a bola ao time alvirrubro. Aos 28, Nenê foi desarmado e permitiu um contragolpe que terminou com o veterano Almir, ex-Botafogo e Flamengo, chutando rente à trave de Martín Silva.

O Bangu não ficou só na ameaça: aos 41, Guilherme escapou pela esquerda, Marcos Júnior ajeitou na área e Rodney, mesmo sem muita força no chute, colocou fora do alcance do goleiro vascaíno: 1 a 0.

O segundo tempo já começou preocupante para o Vasco. No minuto inicial, Paulinho torceu o tornozelo sozinho e chegou a chorar de dor, gerando preocupação na comissão técnica. O meia-atacante voltou a campo e se mostrou recuperado, mas o Vasco só levou perigo novamente quando outra jovem promessa veio a campo.

Aos 16, Caio Monteiro entrou no lugar de Wellington, numa tentativa de dar mais ofensividade ao time — Zé Ricardo também promoveu a estreia do volante Desábato no lugar do zagueiro Luiz Gustavo. 

Bastaram cinco minutos para Caio assustar o goleiro do Bangu: aos 21, após cruzamento de Nenê, o atacante cabeceou à queima-roupa e exigiu grande defesa de Célio Gabriel.

Conforme o relógio avançava, o Vasco exibia cada vez menos fôlego e organização, sintomas naturais de um início de temporada. Só que o Bangu nada tinha a ver com isso, e aproveitou novo contra-ataque pelo lado esquerdo para decidir o jogo. Anderson Lessa apareceu na pequena área e só escorou um cruzamento rasteiro para o fundo da rede, ampliando o placar aos 37 minutos.

E o Bangu teve chance de fazer o terceiro, com direito a “caneta”.


Fonte: Extra

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