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Promotor diz que capitão que matou Camila Abreu não foi expulso da PM

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O promotor de Justiça Benigno Filho afirmou nesta quinta-feira (5) que o capitão da Polícia Militar, Allisson Wattson da Silva, ainda não foi expulso da corporação, embora haja decisão do Conselho da PM a favor da expulsão. O capitão é acusado de matar a estudante Camila Abreu em outubro do ano passado e vai a julgamento em júri popular pelo crime.

De acordo com Benigno Filho, em entrevista ao Jornal do Piauí de hoje, o fato de o capitão ainda fazer parte dos quadros da PM não interfere em nada no processo crimninal. Ele lembrou que o julgamento do capitão Wattson está tramitando de forma relativamente rápida e deve acontecer entre o mês de maio e junho deste ano.  

“No dia 2 de abril o processo estava pronto para ir a júri. Houve uma resposta imediata do Ministério Público, que atendeu o clamor da sociedade e da família da Camila, nesse processo com a agilidade que teve, com a presidência da instrução criminal pela doutora Zilnar e toda equipe da 2ª Vara do Tribunal do Júri”, disse o promotor.

Benigno Filho lembrou que o réu ainda tem o direito de recorrer. “Com referência ao Ministério Público, se houver recurso, que cabe ao atual denunciado e pronunciado o direito de recorrer da sentença, é um direito dele. Se ele não recorrer, tudo indica que ele vai ter esse processo levado a júri no final de maio e começo de junho”.

Sobre o fato de o capitão não ter sido expulso da PM o promotor confirmou e disse que este é um processo administrativo. O Conselho da PM decidiu por unanimidade pela expulsão e o processo foi enviado à Procuradoria Geral do Estado.

“Isso aí já é uma área administrativa que cabe ao governo do Estado tomar a devida providência. Já se passaram mais de quatro meses. A justiça criminal já concluiu seu trabalho e esperamos que o governo do Estado tome uma providência qual seja a exclusão do quadro de oficiais da Polícia Militar, conforme consta da decisão do Conselho composto por aquele oficializado daquela brilhosa companhia”, explicou.

Ele acrescentou que não há preocupação do MP quanto à expulsão ou não de Alisson Wattson e que isso não interfere no processo criminal. “Inicialmente não tem preocupação do MP, até porque nosso papel foi cumprido devidamente, levando ao processo todas as provas contundentes, claras e evidentes da autoria e materialidade do crime. Agora, é a sociedade e a família da vítima que esperam por parte do governo do Estado uma providência. Temos uma decisão já do Comando da PM. O Ministério Público não vai entrar nessa seara, porque é exclusivamente um processo administrativo. Eu vou acompanhar em nome do Ministério Público, a participação no Tribunal do Júri.

Exame de sanidade mental
A defesa do capitão, no mês de março, entrou com um processo pedindo que fosse feito um exame de sanidade mental no acusado. A solicitação foi negada. O exame tinha o intuito de comprovar que o capitão tinhas problemas psicológicos e fazia um tratamento para isso, e assim justificar o comportamento dele quanto ao crime.  

O promotor garantiu que não há a mínima possibilidade de Allisson Wattson conseguir o direito de realizar o exame.

“Esse exame de sanidade mental não procede, não tem cabimento nem tem amparo, até porque o capitão quando praticou os atos que matou a Camila em um crime bárbaro, ocultou o cadáver e só foi apontar onde estava três dias depois. Ora, se o policial militar estava em pleno exercício e gozo das suas funções, como é que agora vem dizer que ele estava com problemas mentais?  Isso é até um afronta à PM”.

Ele acrescentou: “Ele é consciente do que praticou. Esse pedido não procede, foi indeferido em juízo e vai continuar sendo. Não tem a menor condição de provar que o capitão que não tem sanidade agora. Ele é um capitão da Polícia até agora na ativa, na polícia quem está na ativa sabe que você sai de aspirante, vai a tenente, e cada promoção, o oficial é submetido a exame físico para ver se tem aptidão e se reúne condições para receber aquela promoção. Qual a insanidade mental para esse cidadão?”, questionou.

 

Lyza Freitas
redacao@cidadeverde.com

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