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Classificado, Uruguai celebra duas gerações e raça de técnico debilitado

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REUTERS/Marcos Brindicci/Folhapress

BRUNO RODRIGUES
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

O gol de Luis Suárez, 31, que deu a vitória para o Uruguai sobre a Arábia Saudita, nesta quarta-feira (20), em Rostov-do-Don, fez os pouco mais de 3 milhões de uruguaios vibrarem com a classificação. E também os 144 milhões de russos.

Isso porque o triunfo uruguaio garantiu a classificação das duas seleções à próxima fase da Copa do Mundo. O duelo entre elas na próxima segunda-feira (25) definirá líder e vice-líder do Grupo A.

Presente nos três últimos Mundiais, o Uruguai avançou até os mata-matas em todas essas edições. No banco, a figura de comando é a mesma, Óscar Tabárez, 71. No campo, também há muitas caras repetidas do sucesso recente da equipe sob o comando do "Maestro", semifinalistas da Copa de 2010 e campeões da Copa América em 2011. 

Dos seis jogadores que já atingiram a marca de cem jogos pela seleção, cinco estão na Rússia: Maxi Pereira, Diego Godín, Cristian Rodríguez, Edinson Cavani e Luis Suárez. 

O camisa 9 entrou para o clube justamente contra a Arábia Saudita. O sexto homem da lista, Diego Forlán, já está aposentado, mas foi parte fundamental do processo vencedor liderado por Tabárez, que enfim começa a renovar a equipe uruguaia com jovens e bons talentos.

No segundo tempo da vitória diante dos sauditas, o técnico mandou a campo Nahitán Nández, 22, e Lucas Torreira, também 22. A dupla de meios-campistas se juntou a outra revelação, Rodrigo Bentancur, 20, que iniciou a partida como titular.

O trio é visto como o futuro da seleção uruguaia, ao menos na faixa central do time. Aliado à característica garra histórica da seleção, têm a qualidade dos bons meios-campistas modernos para jogar com a bola nos pés.

"Está sendo construído um novo futebol dentro do Uruguai, e a seleção não escapa de ser um reflexo disso tudo, com jogadores de grande hierarquia que estão sendo formados na Europa, mas que têm suas raízes no Uruguai. Creio que o futuro vai ser muito promissor", disse Fernando Curutchet, coordenador das categorias de base do Peñarol (URU).

Curutchet trabalhou por um breve período com Nández no clube antes de o jogador se transferir, em 2017, para o Boca Juniors (ARG).

Mais precoces do que Nández foram Bentancour e Torreira. Ambos nunca jogaram profissionalmente por um clube uruguaio e debutaram no futebol por times estrangeiros: Bentancour no Boca Juniors e Torreira no Pescara (ITA). Hoje estão na Itália, jogando por Juventus e Sampdoria, respectivamente.

Titular no primeiro jogo do Uruguai, De Arrascaeta, 24, é outro em quem se aposta alto para os próximos passos da seleção. Atleta do Cruzeiro, o meia foi treinado por Fernando Curutchet no Defensor (URU) que foi semifinalista da Libertadores de 2014. 

Autor do gol sobre o Egito, José Giménez, 23, já é uma realidade ao lado do capitão e companheiro de Atlético de Madri, Diego Godín, 32, remanescente da geração que começou a caminhada de três Copas seguidas.

Essas duas épocas se misturam na reta final do trabalho de Óscar Tabárez à frente do selecionado. Para o próximo ciclo de Copa, a federação de futebol do país provavelmente já terá definido outro nome para o comando.

Tabárez enfrenta também problemas que estão debilitando sua saúde. Segundo a imprensa uruguaia, o Maestro sofre da Síndrome de Guillain-Barré, doença autoimune que ataca o sistema nervoso, interferindo na condução de estímulos até os músculos.

Por conta disso, Tabárez se move pelo centro de treinamento uruguaio com um carrinho e comanda a seleção da área técnica com uma muleta, visivelmente com dificuldades para caminhar.

Mas o problema não tira dele a energia de fazer desse Uruguai mais uma equipe da qual seu país poderá se orgulhar. 

No momento do gol de Giménez contra o Egito, tirou forças do seu interior para levantar do banco, fincar a muleta no chão e gritar "Uruguay nomá!", termo muito utilizado pelos uruguaios para vibrar com a seleção.

Essa mesma energia o alimenta na renovação que se inicia no time. Aos 71 anos, Óscar Washington Tabárez mostra que a idade não é um impedimento para se praticar o novo. É o que já estamos vendo no Mundial da Rússia: o Uruguai de amanhã.

 

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