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Novo disco do Guns é megalomaníaco e irregular

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O novo CD do Guns n' Roses, "Chinese Democracy", tem tudo o que os sinais emitidos por Axl Rose sugeriam: um projeto megalomaníaco e irregular.

A banda, que ficou 17 anos sem lançar um álbum de inéditas, demorou mais de uma década no estúdio e gastou US$ 13 milhões --o que valeu o título de disco mais caro já produzido.

Capa do novo álbum do Guns n'
Roses após um hiato de 17 anos,
"Chinese Democracy"
 
Slash, Duff e companhia deixaram o Guns porque não concordavam com os rumos musicais que Axl estava propondo: enquanto ele queria um novo disco com um pé no rock industrial, os companheiros queriam fazer a velha mistura de rock de garagem com hard rock que fizeram clássico o primeiro álbum do grupo, "Appetite for Destruction".

Axl ficou sozinho na banda e poderia, enfim, fazer o CD que gostaria. Ao ouvir o novo disco, no entanto, a impressão que fica é que ele tentou experimentar, sim, mas não quis abrir mão das características que fizeram o sucesso da banda.

A Folha Online participou da primeira audição oficial do disco no Brasil nesta terça-feira (11) à noite.

O resultado final é um disco que mistura experimentalismos esporádicos, com o peso do "Appetite..." e a megalomania de algumas músicas dos álbuns "Use Your Illusion 1" e "Use Your Illusion 2" --ambos lançados em 1991--, como "November Rain" e "Estranged".

Essa miscelânea musical, no entanto, nem fez a banda mudar de rota, nem abriu mão da antiga fórmula. Há bons momentos, como a faixa-título "Chinese Democracy", em que Axl aparece pouco para o rock industrial falar mais alto.

Além deste single, outros são sérios candidatos a virar hit, como "IRS", "Better" e "Madagascar". Elas parecem que foram tiradas dos "Illusions" e repaginadas. "Sorry" tem muita personalidade.

 
Voz e guitarras

Apesar de boas experimentações, como na introdução de "Riad n' the Bedouins", elas só aparecem em inserções nas músicas. Onipresente mesmo são os solos de guitarra. A maioria --muito bem tocada-- deve satisfazer os fãs mais novos que não viram Slash empunhar a guitarra no Guns.

Já a voz do Axl esteve à altura do projeto megalomaníaco. Ele variou de timbre como em nenhum outro disco. Em "IRS", seu vocal chega a alturas inimagináveis.

"Chinese Democracy" pode ser um sucesso comercial. Mas como projeto artístico, Axl parece ter falhado.

 
 
Fonte: Folha Online
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