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Troca de Raikkonen por Leclerc foi marcada por queda de braço na Ferrari

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JULIANNE CERASOLI
LONDRES, REINO UNIDO (UOL/FOLHAPRESS)

A Ferrari confirmou a chegada do monegasco Charles Leclerc para o lugar de Kimi Raikkonen a partir da temporada 2019. Já o finlandês vai ocupar justamente a vaga de Leclerc na Sauber, em uma negociação complicada e que demorou meses para ser concretizada.

Membro da academia de pilotos da Ferrari desde 2016, Leclerc chegou à F-1 já cercado de expectativa para se tornar o substituto natural de Kimi Raikkonen. Porém, o fato de ter apenas 20 anos e sua pouca experiência, além da melhora da performance do finlandês nesta temporada e seu valor em termos de marketing para a equipe, geraram dúvidas mesmo dentro do time de Maranello.

O fiel da balança acabou sendo o ex-presidente Sergio Marchionne. O ítalo-canadense via em Leclerc não apenas a chance de injetar sangue novo na equipe, como também de estimular Vettel, uma vez que o monegasco é visto como o futuro da Scuderia.

Em maio, começaram os boatos vindos de dentro da Ferrari de que o acordo estava consumado. E, de fato, Marchionne assinou um contrato com Leclerc. No fim de junho, contudo, o presidente foi internado para fazer uma cirurgia, sofreu uma trombose e acabou falecendo.

O novo comando da Ferrari, mais conservador que Marchionne e pressionado pelo departamento de marketing, decidiu inicialmente que o melhor seria voltar atrás e passou a procurar formas de cancelar o contrato assinado pelo ex-presidente. No entanto, isso traria problemas com a família Marchionne e também com os Todt. Afinal, Leclerc é empresariado por Nicolas Todt, filho de Jean, presidente da FIA.

Para complicar a situação, no GP da Itália ficou claro que todo este imbróglio também poderia trazer consequências para o campeonato: sabendo que tinha poucas chances de continuar, Raikkonen defendeu normalmente sua primeira colocação na largada do GP da Itália, dificultando a vida de seu companheiro Sebastian Vettel, que está disputando o título.

A solução, então, foi inverter a posição dos dois pilotos, o que provavelmente deve custar caro aos cofres da Ferrari, uma vez que o salário de Raikkonen deve ser pago pela Scuderia, que tem grande influência na Sauber - cujo patrocinador master é a Alfa Romeo, outra marca do grupo Fiat.

A ida de Raikkonen para a Sauber também faz sentido do ponto de vista estratégico da Ferrari, que visa estreitar sua relação com o time, usando a Alfa Romeo. Com o investimento italiano, a equipe já observou melhora considerável de seu orçamento para este ano, e deve crescer ainda mais na próxima temporada.

HISTÓRICO VITORIOSO
Charles Leclerc chegará à Ferrari aos 21 anos com um currículo invejável. O monegasco, que faz parte do grupo empresariado por Nicolas Todt desde 2010, fez a carreira na França, ganhando vários títulos no kart e perdendo o mundial para Max Verstappen em 2013. Fez um ano na F-Renault 2.0 e na F-3 Europeia, sempre ficando entre os quatro primeiros. Em 2016, foi campeão da GP3 e, no ano seguinte, da F-2 - campeonato que dominou inteiramente.

Na Sauber, pontuou em cinco das 14 corridas disputadas e foi responsável por 13 dos 19 pontos marcados pelo time até agora.

Já Raikkonen será, com sobras, o piloto mais velho do grid na próxima temporada, com a aposentadoria já confirmada de Fernando Alonso. Raikkonen começará o campeonato de 2019 com 39 anos. O segundo mais velho do grid será Lewis Hamilton, que terá 34.

 

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