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Enterro no Piauí pode custar mais de R$ 10 mil e setor oferece luxo e comodidades

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Quanto custa morrer no Piauí? A pergunta pode soar estranha, mas em 2018 morrer pode se tornar bem caro para os bolsos do piauiense.  O Cidadeverde.com realizou um levantamento que revela que serviços que vão do simples jazigo até a cremação podem ultrapassar os 10 mil reais. Atualmente Teresina possui 12 cemitérios públicos e três particulares, e mesmo com a proposta de surgimento de mais cemitérios e vagas, sempre serão necessários mais espaços para esse setor que apesar das crises, só cresce em todo o país.

Segundo o último dado divulgado pelo IBGE, somente em 2017  foram registrados 17.669 óbitos, um aumento de 3,62% em relação a 2016 e acima da média do que foi verificado para o país.

No Brasil, o custo médio de um enterro é de R$ 2,5 mil, segundo dados da Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (Abredif). No Piauí esse valor pode variar dependendo das preferências do falecido e da sua família. No setor público há diversas formas  e custos diferentes para enterrar um ente querido. Elas vão desde projetos de assistência social do Governo até os cemitérios considerados pela prefeitura como Classe A.

Foto: Catarina Malheiros / Cidadeverde.com

Cemitério São Judas Tadeu

De acordo com Renato Lopes, Gerente de Serviços Urbanos da SDU Leste, além dos custos com jazigos e gavetas, as famílias podem adquirir a perpetuidade dos seus espaços. "Atualmente há várias especificidades nos cemitérios públicos pois há cemitérios considerados tipo A, B e C na prefeitura. Em um cemitério tipo A, por exemplo, o valor das taxas chega a R$ 118 e a construção da gaveta, que pode ser contratada por fora pela família, pode custar até R$ 700", explica o gerente.

Etapas e taxas para um enterro na capital

Ao receber o atestado de óbito, a família deve procurar o Plantão Funerário. O serviço público produz documentação e encaminha o finado para o cemitério mais próximo de seu local de residência. Segundo Renato, atualmente a prefeitura conduz os falecidos para cemitérios por critério de proximidade e vagas. 

Em seguida é cobrada uma taxa para abertura de gaveta e também o registro nos livros, a exemplo dos cartórios, com a localização do túmulo. Após realizado o enterro, a família tem até cinco anos para solicitar a perpetuidade do seu jazigo, que é o direito sobre o terreno no qual estão enterrados seus familiares. De posse da perpetuidade a família pode realizar obras de construção de capelas ou gavetas baseadas em contratos com profissionais autônomos.  O preço médio para a construção de uma gaveta simples é de R$ 700 mas pode variar dependendo da quantidades de espaços a família deseje.  O preço médio para garantir a perpetuidade varia de R$ 168 em um cemitério do tipo C a R$ 392 em um cemitério tipo A.

A construção da gaveta não é obrigatória para o enterro comum, e ele pode ser realizado gratuitamente pelos funcionários do próprio cemitério, é uma opção da família. Atualmente não há taxa de manutenção para as famílias de falecidos enterrados em cemitérios públicos de Teresina. Mas segundo Renato, a prefeitura já estuda uma cobrança anual para todos os túmulos de Teresina. 

"Estamos realizando um recadastramento de todos os túmulos da capital. É um trabalho dificultoso e requer bastante comunicação já que há túmulos muito antigos dos quais não encontramos proprietários, por diversos motivos, alguns não vivem mais em Teresina, outros estão sem identificação”, explica o gerente.

Gratuidade 

O Governo do Estado oferece um serviço de urna funerária gratuita para famílias carentes. O serviço é oferecido pela SEMTCAS e atende pessoas que estão no Cadastro Único e podem receber benefícios oferecidos pela Assistência Social do Governo.  A renda per capita da família não pode ultrapassar 1/4 de salário mínimo e pessoas dadas como indigentes (cujas famílias não reivindicam os finados) também são inclusas neste benefício que inclui o jazigo e a urna funerária.

Luxo e comodidades

Do outro lado da moeda estão os cemitérios da rede particular de Teresina. Luxo para os que se vão, e conforto para os que ficam estão entre os serviços oferecidos pelas empresas do setor. O cemitério Parque Jardim da Ressureição, na zona Sudeste da capital se destaca no ramo como o primeiro cemitério neste modelo da capital e segundo do Brasil. Fundado em 1977, ele tem entre suas diferenças uma vasta área verde e lápides seguindo quase todas um mesmo padrão com imagens sóbrias e sem grandes construções que impeçam a visão do parque.

“Nosso cliente tem a disposição uma gama de serviços que vão de acordo com as suas necessidades. Aqui por exemplo já realizamos enterro a 1h da manhã. Este tipo de serviço não é comum mas jamais são questionados os motivos do cliente. Claro que os custos são maiores e precisamos de todo um esquema especial para garantir os serviços, mas a partir do momento em que a família tem suas preferências, nós podemos realiza-las”, explica a gerente executiva, Maria Dasdores Pereira.

Foto: Catarina Malheiros / Cidadeverde.com

Pôr do sol no Cemitério Parque

Atualmente o jazigo simples, tarifa mais barata do cemitério parque custa R$ 4600 para uma pessoa. O que não impede que cinco anos após o enterro, a família possa pedir a exumação do finado para a construção de mais um espaço no mesmo jazigo. Tudo negociado pela própria administração do cemitério.

O jazigo mais caro do local, no setor “Jambo”, como é chamado pela gerente custa R$ 9800. “O que justifica o preço mais caro é a quantidade de espaços comprometidos para a construção de novas quadras, por conta das árvores. As raízes crescem, ocupam espaços de pelo menos duas fileiras de jazigos, o que compromete nossos espaços. Porém a área privilegiada tem sombra para os visitantes que sempre procuram o local para fazer suas orações e prestarem suas homenagens”, completa a gerente.

E foi pensando nesse visitante que o cemitério construiu diversos espaços que vão desde a capela, com uma iluminação especial com direito a mudança de cor, até um parquinho para as crianças dos visitantes. E não pense que somente missas de corpo-presente e velórios são realizados no local. A gerente comenta que espera realizar até casamentos e aniversários em um breve espaço de tempo.

“As pessoas costumam reclamar do que é caro sem antes observarem o que é oferecido. Bons serviços tem preços justos e nós atendemos até onde o cliente está disposto a investir”, pontua.

Foto: Catarina Malheiros / Cidadeverde.com

Capela com cadeiras acolchoadas e iluminação que muda de cor

O cemitério também é o único do Piauí que oferece o serviço de cremação. Ela custa R$ 8500 e dá direito a uma urna funerária. Mas não pense que o processo é simples e rápido, é necessária toda uma documentação prévia para que a cremação seja autorizada. “O cemitério precisa se resguardar de que aquele corpo não será reivindicado no futuro para uma exumação, já que após a cremação não existe mais DNA. Esse processo pode ser rápido, mas há casos em que ele pode durar até 20 dias e para isso temos uma câmara fria onde o finado é armazenado até o fim dos procedimentos e a cremação” explica Maria Dasdores.

O cliente recebe uma urna padronizada com as cinzas de seu ente querido, mas há também vários modelos de urna funerária que podem ser adquiridos. A urna mais cara chega a custar R$ 2500 e é feita de bronze.

Atualmente o cemitério possui quase 15 mil pessoas enterradas e 77 funcionários que trabalham na manutenção, que custa uma taxa mensal e perpétua de R$ 95. Em caso de falecimento ela é cobrada dos seus herdeiros.

Rayldo Pereira
rayldopereira@cidadeverde.com

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