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Pacientes no Piauí têm que viajar até 3 horas para conseguir uma consulta

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(Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com)

O término da parceria entre Brasil e Cuba tem prolongado o sofrimento de pacientes que precisam de atendimento no interior do Piauí. Alguns terão que percorrer mais de 100 km e enfrentar quase 3 horas de viagem para conseguir uma consulta. Essa é a realidade, por exemplo, na cidade de Guaribas onde o médico cubano era o único profissional de saúde. Com isso, quem precisa atendimento no município tem que viajar até São Raimundo Nonato, trajeto que inclui estrada de chão batido. 

"Se uma pessoa adoecer será necessário ir para outra cidade mais próxima que pode ser de  2 a 3 horas de viagem. Isso é a realidade de municípios distantes como Morro Cabeça no Tempo, Redenção do Gurgueia [...] quem mora em Guaribas terá que ir para São Raimundo Nonato que são cerca de 3 horas, sendo que 50 km desse trajeto não tem asfalto", explica Idivani Braga, coordenadora do Mais Médicos no Piauí. 

De acordo com o Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Piauí (Cosems-PI) e a Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi), a situação tende a piorar porque alguns profissionais de saúde inscritos no novo edital do Mais Médicos já demonstraram interesse de não atuar no interior do estado. Além disso, médicos que atuavam pelo Programa Saúde da Família (PSF) estão abandonando os postos de trabalho para se inscreverem no Mais Médicos deixando assim a população desassistida. 

"Muitos médicos estão deixando o PSF para se inscrever no Mais Médicos em outra cidade. Pelo PSF, o valor pago é menor. Já pelo Mais Médicos o valor é maior e eles nã precisam pagar imposto de renda, pois recebem como bolsa o valor integral. Um problema se resolve e outros são criados", disse Leopoldina Cipriano, presidente do Cosems. 

(Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com)

No total, 202 cubanos deixaram o Piauí. O novo edital abriu inscrições para 199 médicos em 100 municípios piauienses. Contudo, o déficit geral é de 38 profissionais porque além das três vagas a menos no novo edital, e um caso particular na cidade de União, na Grande Teresina, 34 médicos já haviam abandonado postos do PSF no ano passado. 

"Essas 34 vagas que ficaram em aberto eram de brasileiros que faziam parte do PSF e abandonaram porque foram fazer residência médica, ou mesmo, por outro motivo. Essa situação é a mesma desde o início do ano, porque eles saíram e não foi aberto outro edital para preencher essas vagas. Os municípios ficaram se virando para fazer contratos temporários", explica Idivani Braga, coordenadora do Mais Médicos no Piauí. 

(Foto: Roberta Aline/ Cidadeverde.com)


CIDADES QUE PERDERAM MÉDICOS DO PSF 

- PAJEÚ DO PIAUÍ

- BENEDITINOS

- ASSUNÇÃO DO PIAUÍ

- ÁGUA BRANCA

- SÃO PEDRO DO PIAUÍ

- UNIÃO

- AMARANTE 


NOVO EDITAL

As 199 vagas abertas no novo edital foram preenchidas e os médicos têm até o dia 14 de dezembro para se apresentarem nas cidades para onde fizeram a inscrição. Apesar disso, as representantes do Cosems e da Sesapi acreditam que o íncide de desistência será alto e pacientes de algumas cidades continuarão sem atendimento médico. 

"Dois médicos já ligaram para mim informando que não têm interesse. Eles se inscreveram, foram aprovados, mas não querem ir porque acharam distante da Capital. Daí, as cidades continuarão sem médicos", acrescenta Cipriano. 

O total de desistentes só poderá ser contabilizada após o dia 14. Até o momento, apenas a médica inscrita para União, na Grande Teresina, se apresentou no município.

 

SEM NEGOCIAÇÃO

Leopoldina Cipriano avalia que o fim da parceria do Brasil com Cuba "criou mais problemas". Ela relata que alguns dos novos profissionais que vão atuar no Mais Médicos não querem cumprir as regras do edital e tentam negociar, por exemplo, a redução da carga horária. 

"Alguns médicos estão ligando, perguntando quantos dias são de trabalho e informamos que são quatro dias. Daí, eles querem negociar a carga horária e também não querem ir para os locais mais distantes e, por isso,  manifestam desejo de desistir. Para mim, não resolvemos um problema, criamos mais. Os médicos não vão conseguir se vincular, nós não vamos aceitar redução de carga horária porque a portaria determina que são 32 horas e vamos exigir isso", disse Cipriano. 

A presidente do Cosems frisa ainda que a situação reflete diretamente em perigo de vida a pacientes. 

"Gestantes, hipertensos e diabéticos estão desassistidos, correndo o rsico de ter um AVC, por exemplo, porque não há quem faça um acompanhamento rigoroso. Se tiver necessidade de mudar uma medicação, não há quem mude porque não tem médico", alerta Leopoldina Cipriano. 

 

Graciane Sousa
gracianesousa@cidadeverde.com

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