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“Maior tragédia do Flamengo”, diz presidente do clube em 123 anos

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Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Um incêndio que atingiu o Ninho do Urubu, centro de treinamento do Flamengo, na manhã desta sexta-feira (8) no Rio de Janeiro, deixou dez mortos e três feridos. Até o fechamento desta edição, o Instituto Médico Legal, Polícia Civil e o Flamengo não divulgaram os nomes das vítimas do incêndio.

O fogo começou durante a madrugada. O Corpo de Bombeiros foi acionado às 5h17 para conter o incêndio que atingiu a ala mais velha do CT. O local servia de alojamento para as categorias de base e recebia jogadores de 14 a 17 anos de idade. As chamas foram controladas às 6h.

O primeiro atendimento aos feridos foi feito no Hospital Municipal Lourenço Jorge. Segundo a secretaria de saúde do Rio, a vítima em situação mais grave é Jonatha Cruz Ventura, 15, que tem cerca de 30% do corpo com queimaduras de terceiro grau. Ele foi transferido para o hospital municipal Pedro 2º.

Os outros feridos, Kauan Emanuel Gomes Nunes, 14, e Francisco Diogo Alves, 15, estão em situação estável e, a pedido do Flamengo, foram transferidos para um hospital particular. O vice-governador do Rio, Cláudio Castro, esteve no Ninho do Urubu na manhã desta sexta e afirmou que a principal suspeita no momento é de que uma pane no aparelho de ar-condicionado do alojamento tenha causado o incêndio.

O presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, afirmou que o acidente é "a maior tragédia pela qual o clube já passou nos 123 anos de sua existência". Jefferson Rodrigues da Silva, dono de uma pensão próxima ao CT que recebe jovens em busca de oportunidade no clube, foi ao local para buscar informações sobre um de seus clientes, um rapaz de 15 anos do Tocantins que estava há dois anos treinando no clube.

Segundo ele, o atleta de nome Caique estava bem, mas muito abalado em razão da perda de colegas.

"Ele estava no alojamento e disse que quando percebeu o que estava acontecendo, não deu tempo de recolher seus pertences, porque as chamas se alastravam rapidamente. Ele perdeu o celular e estava em estado de choque, mas conseguiu se salvar", disse.
Às 10h20 um carro da perícia da Polícia Civil chegou ao local para apurar as causas do incêndio.

O enteado de Marcia Santos, 34, Samuel Barbosa, 16, estava no quarto em que o fogo começou. Segundo ela, apenas parte dos jovens conseguiu fugir. A família veio do Piauí há dois anos para que o jovem tentasse uma oportunidade no clube.
O local incendiado é usado pelo Flamengo para abrigar jogadores a partir dos 14 anos. Mãe de um menino do time sub-11 do clube, Rute Mara, 56, disse que os jovens se apresentaram no clube na semana passada.

"A gente acha que houve algum problema na parte elétrica porque a chuva danificou a rede em vários pontos do bairro", afirmou.
O Ninho do Urubu fica localizado no bairro de Vargem Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro, e é utilizado para treinamentos do elenco profissional e das categorias de base.

O local passou por reformas recentemente, com a inauguração de um novo módulo para os profissionais em novembro de 2018. Era previsto, inclusive, que a ala atingida pelo incêndio fosse demolida após a inauguração do novo espaço.

ÁREA PARA ESTACIONAMENTO
A área em que o Flamengo construiu o alojamento de suas categorias de base no Ninho do Urubu tinha permissão da Prefeitura do Rio de Janeiro para funcionar apenas como estacionamento.
A reportagem apurou que a autorização foi concedida ainda em abril do ano passado.

O Flamengo ainda não se manifestou sobre o assunto. A Prefeitura do Rio divulgou em nota que a atual licença de funcionamento centro de treinamento flamenguista tem validade até o dia 8 de março de 2019.
"A área de alojamento atingida pelo incêndio não consta do último projeto aprovado pela área de licenciamento, em 05/04/18, como edificada. No projeto protocolado, a área está descrita como um estacionamento. Não há registros de novo pedido de licenciamento da área para uso como dormitórios", diz a prefeitura, que informou também que irá abrir "um processo de investigação para apurar as responsabilidades".

Ainda segundo as autoridades municipais do Rio de Janeiro, por determinação da Secretaria de Fazenda, o local foi lacrado em outubro de 2017.
A decisão foi tomada após o clube ter sido multado 30 vezes por falta de alvará de funcionamento.

Mesmo assim, o Flamengo decidiu reabrir o centro de treinamento em 2017, mesmo com o local lacrado. Para ser utilizado, o centro de treinamento precisaria ser regularizado por dois setores da prefeitura: urbanismo e fazenda.

No setor de edificações, o Flamengo obteve licença para funcionamento de centro de treinamento. Mas, segundo a prefeitura, "em nenhum pedido feito pelo Flamengo existe um alojamento na área" onde os rapazes estavam abrigados.

"No projeto protocolado, a área está descrita como um estacionamento de veículos e não como alojamento". Ainda segundo a nota, em setembro de 2017, o Flamengo apresentou pedido de funcionamento do centro de treinamento.
Após deferimento prévio, a prefeitura solicitou os documentos para a concessão do alvará de funcionamento.
"O certificado de aprovação do Corpo de Bombeiros não foi apresentado, portanto, o alvará não foi concedido", disse a nota do município.

Fonte: FolhaPress

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