Cidadeverde.com
Esporte

Clubes criticam torcida única, mas se conformam com modelo nas finais do Paulista

Imprimir

Enquanto os órgãos de segurança de São Paulo celebram a queda dos confrontos entre torcedores nos clássicos desde a adoção da torcida única em 2016, os clubes e a FPF afirmam que o modelo não é o ideal, mas se conformam com a determinação. A partir das semifinais do Campeonato Paulista, serão disputados seis clássicos até a definição do título. Todos terão a presença de uma só torcida.

"Neste momento é o que pode ser feito. É o que querem a Polícia Militar e o Ministério Público. Os índices de paz melhoraram. Não é o ideal, mas é o que se pode fazer", afirmou o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, ao Estado.

O presidente corintiano Andrés Sanchez reafirma sua posição contrária à torcida única. Nas semifinais, seu clube vai enfrentar o Santos em Itaquera neste domingo. No dia 8 de abril, uma segunda-feira, os dois times se reencontram no Pacaembu. "Essa é uma situação que já tem três anos. Não vai mudar. Não tenho mais o que dizer. Eu sou contra, mas não vou conseguir mudar", reclamou o presidente.

Para José Carlos Peres, presidente do Santos, a presença de apenas uma torcida nos clássicos é um mal para o futebol. "Havia um tempo em nós assistíamos ao jogo todos misturados e não havia problema. Depois, começaram a dividir e sempre temos leões que querem brigar. A divisão aumentou o número de brigões. Se você liberar tudo, não vai ter briga. É o que acontece com o alambrado grande, cheio de policiais, para evitar invasões de campo. Hoje, a proteção é de 1,50m, mas ninguém pula. Isso inibe Ninguém suja o metrô, por exemplo", diz o dirigente.

A adoção da torcida única foi uma medida de segurança imposta nos estádios da capital desde abril de 2016. A mudança foi uma resposta aos confrontos entre integrantes das torcidas Mancha Alviverde, do Palmeiras, e Gaviões da Fiel, do Corinthians, em vários pontos da cidade. Os conflitos deixaram dezenas de feridos e um morto.

O promotor Paulo Castilho, do Ministério Público de São Paulo, afirma que a volta de duas torcidas nos clássicos seria um retrocesso. O posicionamento do órgão está apoiado em pesquisas da PM que apontam a queda dos índices de violência nos estádios. "As medidas implementadas no estado de São Paulo vêm promovendo efeitos positivos há anos. Temos redução drástica dos índices de violência", diz o promotor.

Estudo realizado pela seção de Planejamento e Operações do 2º Batalhão de Choque de Polícia Militar, responsável pelo policiamento nos estádios, mostra uma queda no número de confrontos entre torcidas rivais desde a implantação da torcida única. A redução foi de 43% entre os 44 clássicos realizados antes e os 44 realizados depois da medida. Os conflitos passaram de 21 para 12. Paralelamente, o estudo mostra aumento do público nos clássicos. No mesmo recorte de 44 clássicos, o aumento do público foi de 33%.

Além da adoção da torcida única, outros fatores podem ter influenciado nos números, como a modernização das arenas, que atraem torcedores com diferentes perfis, como as mulheres, por exemplo.

A economia com a PM se deve ao deslocamento de agentes de segurança que fariam o policiamento nos estádios para outros locais da cidade. Castilho afirma que a torcida única continuará a ser utilizada por tempo indeterminado. "A intenção do estado de São Paulo é que tenhamos torcida única no Campeonato Paulista, Campeonato Brasileiro e Libertadores. Os resultados são altamente satisfatórios. Temos consciência de que não é o ideal, todos gostariam de ver o estádio com duas torcidas, mas temos de ver o custo que isso traz para o Estado e para a sociedade", afirma o promotor público.

Por Gonçalo Junior
Estadão Conteúdo

Imprimir