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Mãe que perdeu filho em enxurrada ganha casa e diz que não dorme direito

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A tragédia no bairro Parque Rodoviário, na zona Sul de Teresina, completa sete dias nesta quarta-feira (10). Jussiara Alves, mãe de Flávio Josiel, 3, uma das vítimas fatais da tragédia, está na casa dos pais com o marido e cinco filhos.

Jussiara contou que encontra nos filhos sobreviventes a força para continuar e reclamou que tem dificuldade para dormir. “Como o pai deles passa a semana fora, eu dormia com os dois menores. Agora durmo só com a menorzinha, sinto muito a falta dele (Josiel) e não consigo dormir direito”.

Após a tragédia, apenas hoje as crianças da família voltaram à escola. “Meu filho mais velho, que é especial, está muito abalado, não está conseguindo nem ir para a escola”, revelou Jussiara à TV Cidade Verde.

Foto Roberta Aline/Cidadeverde.com

Sem conseguir alugar uma casa pelo Cidade Solidária, Jussiara, o marido e os filhos estão na casa dos pais. “Não conseguimos alugar a casa porque não querem alugar para prefeitura”, lamentou.

Jussiara reclamou da demora das autoridades públicas no auxílio à família e informou que ganhou de uma voluntária uma casa própria na zona Sul de Teresina. “Ganhamos uma casa no parque Vitória”, disse.

Além de Flávio Josiel, a senhora Maria das Graças, de 69 anos, faleceu na tragédia do Parque Vitória. A única vítima que permanece internada é Edimilson Pereira, de 58 anos, que está se recuperando de uma cirurgia no fémur que foi fraturado na enxurrada. 

Missa

Em memória das duas vítimas será celebrada hoje uma missa na igreja Maria Auxiliadora, às 19h. A celebração será feita pelo padre Carlos César. Na igreja, uma semana após a tragédia, a movimentação de voluntários é intensa. Eles se revezam organizando doações e preparando alimentação para os desabrigados. 

"Estamos atendendo as pessoas que perderam tudo. Como elas não podem cozinhar, montamos uma cozinha para preparar as refeições. Não fui atingida pela tragédia, mas me comovi muito e resolvi ser voluntária para tentar diminuir o sofrimento dessas pessoas" , disse Daniely Deline. 

Uma das salas da igreja tem servido de alojamento para cerca de 15 moradores que perderam tudo. Os atingidos relatam dificuldades para conseguir alugar uma casa. 

"O dinheiro que a Prefeitura disponibiliizou não sai na hora e as pessoas não querem alugar suas casas. Além  disso, o valor do aluguel é no máximo de R$ 300 e também não achamos casas nesse valor", disse  Valdire Pereira, que está alojada na igreja.

Valmir Macêdo e Graciane Sousa
redacao@cidadeverde.com

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