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Vereadores vão apurar condição de venezuelanos e cobrar providências da prefeitura

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Fotos: Roberta Aline/Cidadeverde.com

 A Câmara de Teresina realiza audiência pública para discutir a assistência ao grupo de imigrantes venezuelanos que estão em Teresina nesta quarta-feira (26). A prefeitura não mandou representante e gerou revolta dos vereadores Dudu (PT) e Cida Santiago (PSD), que são os autores do requerimento que deu origem a audiência.

O vereador Dudu classificou a ausência de representantes do município como "desrespeito". " São nossos irmãos que deixaram sua terra não por turismo, mas por uma guerra. E a prefeitura não manda ninguém. Não veio ninguém da Secretaria de Assistência Social. Convidamos a Fundação Municipal de Saúde e não veio ninguém. É uma grande falta de respeito. Queríamos resposta sobre a quantidade de pessoas que estão aqui, quais as dificuldades para ajudar", disse.

Os vereadores irão criar uma comissão para visitar os abrigos dos venezuelanos em Teresina e apurar as condições que eles vivem. A comissão vai cobrar providências da prefeitura. 

Durante a audiência, foi discutida a assistência e o combate à prática de levar crianças para pedir esmola nos sinais.

De acordo com a presidente da Comissão de Promoção de Cidadania da OAB, Justina Vale, é preciso respeitar a cultura dos venezuelanos. O grupo que encontra-se em Teresina é da tribo Warao, da comunidade Mariusca. 
Segundo informações repassadas pela Secretaria Municipal de Assistência Social e Políticas Integradas, atualmente existem 159 venezuelanos estão em Teresina. O número já chegou a 206, mas alguns já deixaram a capital e seguiram para outras regiões do país. 

Justina afirma que é preciso apresentar soluções para que os pais não levem as crianças aos sinais.

"Eles levam as crianças porque não têm como deixar. Eles são  muito apegados e andam todos em grupo. É uma questão cultural. Não pode haver repressão violenta. É preciso conversar, explicar a lei brasileira e levar as crianças de volta aos abrigos. É preciso se respeitar as diferenças", destacou.

A venezuelana Eubi Paulino Bentacourt afirma que eles pedem esmolas para garantir a compra de água, comida e roupas.

"Como vamos andar sem nossos filhos? Vamos deixar onde? Pedimos dinheiro para comprar água. Precisamos comprar comida e a roupa para nós vestirmos", afirmou. Ela não soube dizer se o grupo ainda continuará na cidade. Segundo ela, o futuro deles é muito incerto.

A condição dos abrigos em que os venezuelanos estão alojados também foi tema da audiência. A vereadora Cida Santiago mostrou imagens dos locais e se disse preocupada. “No abrigo do Poti Velho, eles convivem com o lixo. Há risco de telhas caírem porque o local está deteriorado. Eles precisam de condições dignas”, afirmou.

A equipe da Secretaria de Assistência Social e Cidadania (Sasc) informou que o governo do Estado está reformando um prédio no bairro Buenos Aires, zona Norte de Teresina, para abrigar parte dos venezuelanos. 

 

Flash Lídia Brito
[email protected] 

 

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