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Guaidó denuncia morte de militar detido por suposto complô contra Maduro

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Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil

O Ministério da Defesa venezuelano confirmou no domingo (30) a morte do militar Rafael Acosta, mas não se manifestou sobre as acusações de que ele teria sido torturado. Acosta estava detido desde quarta (26), por supostamente participar de um plano para depor o ditador Nicolás Maduro.

No sábado, o líder oposicionista Juan Guaidó denunciou o óbito como "assassinato". "Confirmamos o assassinato do capitão naval [Rafael] Acosta Arévalo, depois de ter sido torturado selvagem e brutalmente", afirmou em uma rede social. Guaidó disse que levará o caso à ONU.

Waleska Perez, a mulher do militar, também afirmou que ele teria sido torturado até a morte.

Sem responder à denúncia de tortura nem explicar as causas da morte, o procurador-geral da Venezuela, Tarek William Saab, anunciou uma investigação "exaustiva" para apurar o caso.

Guaidó, chefe do Parlamento de maioria opositora e reconhecido como presidente interino da Venezuela por meia centena de países, divulgou uma denúncia de Tamara Sujú, advogada venezuelana asilada na República Tcheca.

De acordo com Sujú, Acosta foi levado a tribunais na sexta-feira (28) "em cadeira de rodas, apresentando graves sinais de torturas".

"Não falava, só pedia socorro a seu advogado. Não entendia, nem escutava bem, não conseguia se mexer, só dizia: 'Socorro, socorro'", declarou a ativista de direitos humanos, que culpou militares de Maduro pelo caso.

O Ministério da Defesa afirmou que Acosta desmaiou antes do começo da audiência de sexta-feira, o que levou o júri a ordenar sua transferência para um hospital militar.

O nome de Acosta estava na lista de 13 detidos divulgada na quinta-feira (27) pelo ministro de Comunicação e Informação, Jorge Rodríguez.

Ele divulgou na TV estatal VTV vídeos e gravações de conversas por telefone sobre o planejamento do que seria um "plano golpista" para depor Maduro, e também vinculou o suposto complô ao opositor Juan Guaidó. "Não são hipóteses, são evidências", disse Rodríguez.

Guaidó pediu às Forças Armadas, leais a Nicolás Maduro, que não permaneçam "indiferentes" e que deixem de apoiar o ditador.

O episódio ocorre menos de dez dias após a visita a Caracas de chefe do Alto Comissariado da ONU para Direitos Humanos, Michelle Bachelet.

Bachelet defendeu a libertação de opositores detidos do regime de Maduro. O número chega a 800, de acordo com a ONG Foro Penal.

As forças de segurança da Venezuela estão sob crescente escrutínio por detenções arbitrárias, condições desumanas de detentos e investigação inadequada de alegações de tortura.

 

Fonte: Folhapress

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