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Fisioterapia do HUT recupera 84% dos pacientes sem mobilidade

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O Programa de Mobilização implantado pela equipe de Fisioterapia do Hospital Urgência de Teresina (HUT), gerido pela Fundação Municipal de Saúde, vem mostrando excelentes resultados. Dos 170 pacientes atendidos pelo Programa na Clínica Médica, entre os meses de junho 2018 a março de 2019, 84% receberam alta com algum ganho na mobilidade.

Os dados coletados pelos indicadores, como por exemplo, o IMS (ICU Mobility Scale), que mostra o nível de funcionalidade do paciente internado, revelaram que em média o paciente é admitido com um IMS entre 1 e 2,  ou seja,  que apresenta alguma movimentação ativa no leito e com condições de sentar em uma cadeira e recebe alta em média com IMS 4, aquele paciente com capacidade de ficar em pé.

De acordo com Thiago Barreto, fisioterapeuta do HUT, o IMS é uma escala criada em um estudo australiano, utilizada também no Brasil. Segundo ele, é o valor do IMS do paciente que define qual será o plano inicial de tratamento de acordo com o protocolo de mobilização. “O IMS é uma escala que varia de 0 a 10. Quando o paciente é classificado com IMS zero significa que ele não tem nenhuma movimentação no leito e IMS 10 é um paciente que consegue caminhar sozinho sem ajuda de terceiros ou suportes como, por exemplo, bengalas”, explica.

Ricardo Barros, gerente da fisioterapia do HUT, disse que é comum pacientes críticos em internações hospitalares prolongadas desenvolverem fraqueza muscular e comprometimentos funcionais que podem persistir por longos períodos após a alta hospitalar. Para mudar essa realidade, segundo ele, é preciso iniciar a reabilitação ainda no ambiente hospitalar.

 “Esses comprometimentos funcionais podem impedir o paciente de realizar atividades básicas do dia a dia. Quando iniciamos o Programa nossa meta inicial era mobilizar 50% dos pacientes por turno. Entretanto, já no primeiro bimestre de acompanhamento (Junho/Julho de 2018) conseguimos alcançar 70% de taxa de mobilização. No bimestre Fevereiro/Março de 2019 essa taxa já subiu para 83,53% de pacientes mobilizados por turno, o que nos iguala aos valores recomendados pelos serviços de fisioterapia de países de primeiro mundo e grandes centros de reabilitação”, destacou Ricardo.

Foto: Divulgação HUT

Novos Recursos e Educação Continuada

Há alguns anos a equipe de Fisioterapia do HUT com apoio da Fundação Municipal de Saúde (FMS) vem se estruturando de forma a aumentar a quantidade de profissionais e melhorar seus recursos tecnológicos a fim de possibilitar a implantação de protocolos e a gestão de seus processos de trabalho. Assim, além dos equipamentos que já são utilizados rotineiramente como as pranchas e bicicletas, o HUT adquiriu também, nos últimos três anos, eletroestimuladores, um parapodium elétrico e um Powerbreathe. De acordo com Ricardo Barros esses aparelhos estão auxiliando no processo de recuperação do paciente proporcionando benefícios nos sistemas circulatório, respiratório e digestivo.

“Esses aparelhos são importantes também para o tratamento e a prevenção da perda de massa muscular, pois potencializam a recuperação da capacidade dos movimentos dos pacientes acamados”, explicou.

Para reforçar as equipes foram contratados ainda, nos últimos dois anos, mais cinco fisioterapeutas que estão contribuindo no tratamento dos pacientes internados nas unidades de cuidados intensivos. “Ao todo o HUT conta com 51 profissionais de fisioterapia. É uma equipe qualificada no atendimento de pacientes graves, especialmente de vítimas de trauma”, observou Ricardo Brito.

Além disso, em 2017 foi realizada uma pesquisa interna com o objetivo de identificar as principais barreiras que impediam a prática da mobilização do paciente. A partir dos resultados obtidos foi possível traçar estratégias para superar essas barreiras e implantar as rotinas de mobilização do paciente de forma sistematizada.

Com esse start a equipe de Fisioterapia do HUT organizou um Programa de Aperfeiçoamento em Fisioterapia Hospitalar como uma dessas estratégias. Com apoio da Unidade de Educação Continuada do Hospital e do CREFITO-14, foram ministrados 20 módulos divididos em palestras quinzenais. Ao todo, participaram do treinamento 344 profissionais.

Ricardo Barros explicou também que o resultado desse trabalho foi percebido pelas mudanças de comportamento individual e institucional a respeito da importância da mobilização precoce do paciente crítico. “Trabalhamos com as atualizações sobre diversos temas relacionados à área hospitalar e de terapia intensiva. Isso nos possibilitou a padronização dos processos de trabalho e desenvolvimento de protocolos baseados nas mais recentes evidências científicas”, comentou.

A diretora geral do HUT, Dra. Clara Leal, comentou os bons resultados da fisioterapia e os projetos para o ano de 2019. “Vamos trabalhar melhor a parceria entre instituições de ensino superior e o HUT com o intuito de melhor qualificar e implementar as rotinas fisioterapêuticas no âmbito hospitalar. Com isso, vamos contribuir não só para o melhor manejo da fraqueza muscular adquirida dos pacientes, mas também todos os aspectos que envolvem as metas de segurança do paciente. Além disso, é também projeto para o ano de 2019 implementar realização de pesquisas com maior envolvimento dos profissionais de Fisioterapia para que possamos estimular e aprimorar as boas práticas”, disse a diretora.

 

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