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Taekwondo brasileiro brilha no Pan e eleva 'competição' com judô

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O Brasil confirmou nos Jogos Pan-Americanos de Lima que vive um grande momento no taekwondo. O país sai do evento no Peru com 7 medalhas conquistadas entre as 8 que disputou, 2 delas de ouro.

Milena Titoneli foi primeira mulher brasileira a alcançar o alto do pódio, nesta segunda (29), na categoria até 67kg. Edival Pontes, o Netinho, havia feito o mesmo no domingo (28), dentre os até 68 kg.

Icaro Miguel e Talisca Reis (respectivamente, até 80kg e 49 kg) , prata, além de Maicon Andrade, Rayani Fidelis (mais de 80 kg e mais de 67 kg) e Paulo Ricardo (até 58 kg), bronze, completam a lista de medalhistas do país. Apenas Rafaela Araújo, na categoria até 57 kg, não obteve medalha.

Esse resultado supera o do Pan do Rio-2007 (quatro medalhas no total e uma de ouro) e entra para a história como o melhor já obtido pelo país nos Jogos. 

Nos dois últimos, os brasileiros estiveram bem abaixo, com uma medalha de bronze em Guadalajara-2011 e duas em Toronto-2015.

No número total de medalhas no Pan, o Brasil só foi superado pelos EUA (com 9) e empatou com o México, rivais com muito mais tradição no esporte. 

Ambos também subiram ao pódio na categoria poomsae (uma apresentação de movimentos, sem adversários), em que o país não enviou representantes.

O desempenho em Lima vem na sequência da principal participação do Brasil em Mundiais. No mês de maio, foram cinco medalhas no torneio de Manchester. 

A competição têm oito categorias masculinas e oito femininas, diferentemente do Pan e da Olimpíada, com quatro em cada gênero.

O salto de patamar vem com uma geração jovem –a média da delegação do taekwondo em Lima é de 24 anos– e alimenta entre os atletas uma espécie de rivalidade sadia com o judô pelo posto de principal arte marcial em termos de desempenho brasileiro nas grandes competições.

Natália Falavigna, medalhista olímpica em Pequim-2008 e chefe da delegação no Pan, brinca com essa competição e diz que se espelha no trabalho feito por Ney Wilson, gestor da confederação de judô, para ajudar a mudar o patamar do taekwondo no país.

"O judô é uma referência por tudo o que fez, pela consistência e principalmente a clareza com que trabalha. Passei três dias no treinamento deles e muito do que a gente tem colocado é usando o trabalho deles como referência. Eu falo mesmo que a gente quer pegar o judô", disse.

Apesar do desempenho histórico, Clayton dos Santos, técnico da seleção, faz uma ponderação do que é possível melhorar para os próximos eventos. Segundo ele, era possível chegar a oito medalhas, e a de Icaro poderia ter sido dourada.

"Eu vi que estava bem no Mundial quando cheguei na medalha de bronze, mas não quis deixar parar por lá. Vim buscando mais e estudando mais com meus treinadores e agora estou aqui, graças a eles", disse a medalhista de ouro Milena Titoneli após a conquista.

DANIEL E. DE CASTRO
LIMA, PERU (FOLHAPRESS)

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