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Temporada final de 'Orange Is the New Black' reforça pioneirismo da série

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Foto: Reprodução/Instagram/@orangeisthenewb

"Orange Is the New Black", que estreou há seis anos, sempre teve a ambição de revolucionar o jeito como se faz e como se assiste a uma série de TV.

Com base numa história real, contava o drama de Piper Chapman (Taylor Schilling), uma mulher branca, de 30 e poucos anos, classe média alta, que vai parar num presídio por um crime bobo que cometera dez anos antes.

Ela entra na prisão de Litchfield e junto leva o espectador para um mundo de mulheres que raramente estão no centro da narrativa -negras, imigrantes, latinas, transexuais, pobres, velhas, gordas, viciadas, doentes mentais etc.

Obras com mulheres protagonistas não são raridade na TV, mas tanta diversidade num mesmo seriado é inédita num programa americano.

Além disso ainda era novidade o conceito de "binge watching", assistir tudo de uma vez, ou vários episódios numa só sentada, que a Netflix introduziu, lançando todos os capítulos ao mesmo tempo.

Com a sétima e última temporada no ar desde a semana passada, a série se despede como a pioneira que sempre foi e com alguns dos melhores episódios em anos.

Se as últimas duas temporadas tropeçaram, a nova está à altura das primeiras quatro, as realmente geniais. A quarta mostrou como a privatização da penitenciária tornou a vida das presas ainda mais difícil.

A quinta, a mais fraca delas, se passou inteira num período de 72 horas, durante uma revolta no presídio. A sexta lidou com as diferenças entre as cadeias de mínima e de máxima segurança, para a qual algumas presas foram transportadas depois.

E acabou com uma surpresa: Piper saiu da prisão. E, fora dela, volta a ser uma personagem central na trama, enquanto tenta se entender com a vida pós-xadrez e com o relacionamento à distância com sua mulher, Alex Vause (Laura Prepon, de "That '70s Show").

Atrás das grades, os 13 episódios vão apresentando os destinos de cada uma das mulheres mais importantes do programa e introduzem dois temas bem atuais, a prisão e deportação de imigrantes ilegais e o MeToo, movimento feminista contra o assédio sexual.

As cenas de flashback continuam a ser alguns dos melhores momentos, mas agora competem com as cenas atuais que se passam fora da prisão.

Contrastando com a relativa boa situação de Piper, a série acompanha a nova vida de Black Cindy (Adrienne Moore), que também foi libertada mas não tem para onde ir. Vive na rua e trabalha como voluntária num asilo.

Duas personagens importantes lidam com a mudança de suas penas para prisão perpétua, Taystee (Danielle Brooks) e Daya (Dascha Polanco).

A primeira se revolta, sua sentença é injusta e ela não consegue reverter, apesar do esforço e da ajuda de Joe Caputo (Nick Sandow), o ex-chefão de Litchfield.

E Daya mergulha na heroína, que usa sem parar e vende para as outras presas com a ajuda de sua mãe, Aleida (Elizabeth Rodriguez), que também foi libertada e mora com um guarda da prisão.

As vidas de Nicky (Natasha Lyonne), Red (Kate Mulgrew), Lorna (Yael Stone) e Pennsatucky (Taryn Manning) se transformam completamente. Mas os momentos mais dramáticos acontecem na ala das imigrantes, para onde Maritza (Diane Guerrero) acaba voltando depois de ser libertada e onde entra uma nova personagem, Karla (Karina Arroyave). 

O tratamento que se dá às ilegais que querem entrar nos Estados Unidos parece pior que a prisão.

Fonte: Folha Press

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