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Política

O que Francisca Trindade diria para Dudu sobre a "cozinha" de Firmino

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Eu ouvi defesas e espantos sobre a polêmica frase do vereador Edilberto Borges, o Dudu (PT) de que o prefeito Firmino Filho (PSDB) deveria cuidar, literalmente, de sua "cozinha". 

Intencional ou involuntária, carregada de interpretações, a fala do vereador expõe uma silenciosa e incômoda cultura do machismo frasal cotidiana. Se a deputada federal Francisca Trindade (PT) fosse viva, o que diria numa situação como essa? Fiquei a imaginar com meus botões.

Trindade diria, como qualquer pessoa de bom senso que o vereador Dudu deveria pedir desculpas pela frase infeliz. Não só o Dudu, mas todos os políticos piauienses que reforçam o machismo  em discurso, em atos, em comportamentos  de que a mulher, os filhos (as) e parentes devem ser sombras do coronelismo político de seus maridos e namorados. Eles pensam que as mulheres não têm competência para administrar sua vida pública e enfrentam diariamente frases e posturas preconceituosas. 

O estopim da polêmica foi a natural e previsível declaração da deputada estadual e primeira-dama Lucy Soares (Progressistas) que defendeu o nome de Firmino Filho ao governo do estado. Firmino reagiu dizendo que não é hora para discutir eleição estadual. Dudu faz réplica afirmando que antes de reclamar o prefeito deveria "cuidar  da cozinha da casa dele".

A fala é claramente carregada de machismo. Se Lucy fosse um homem, o vereador não usaria a simbologia da cozinha. Deve pedir desculpas, Dudu, às mulheres já saíram da copa, da sala, da cozinha e vão estar onde quiserem estar. É um debate educativo, espero que pedagógico e reflexivo sobre o protagonismo da mulher na política. É preciso entender que elas não precisam viver em suas sombras e que isso não é nada menos que um machismo de seus maridos.  Não tenho dúvida que Trindade diria: se machuca uma, machuca todas nós. 


Yala Sena
Editora-chefe do Cidadeverde.com

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