Cidadeverde.com
Esporte

Criado no Brasil, captador é peça-chave na engrenagem do Real Madrid

Imprimir

O presidente do Santos, José Carlos Peres, foi levado a um café escuro em Londres, em junho de 2018.

"Nós queremos entrar na negociação por Rodrygo", disse seu interlocutor, que pegou um tablet e fez chamada de vídeo para o presidente do Real Madrid, Florentino Pérez.

O negócio foi fechado em 50 milhões de euros (R$ 230,2 milhões em valores atuais), dinheiro que, segundo o próprio Peres, foi a "salvação do Santos".

Ao lado do agente Nick Arcuri, o espanhol criado em São Paulo José Antonio Calafat de Souza, conhecido como Juni, 46, foi o responsável pelo primeiro contato com Peres e o levou ao café para ter uma conversa privada. Antes disso, já havia começado a falar com familiares do jogador e o próprio Rodrygo.

O chefe de captação internacional do Real Madrid se tornou peça-chave na engrenagem do clube espanhol principalmente por causa de jogadores brasileiros.

Ao perder a aquisição de Neymar para o Barcelona, em 2013 (embora a negociação já estivesse sacramentada em 2011), Florentino Pérez prometeu que não perderia as próximas revelações do futebol nacional.

Calafat foi também fundamental na aquisição de Vinicius Júnior por 45 milhões de euros (R$ 207,2 milhões). Não apenas para a transação econômica em si, mas para mostrar ao jogador que seu futuro estava em Madri.

Esta é sua função que importa, mais até do que definir a questão monetária. Esta fica a cargo de José Ángel Sanchez, diretor geral.

Mas foi o espanhol criado no Brasil quem passou 14 meses em contato constante com o atacante do Flamengo e sua família.

"Nós já o conhecíamos como olheiro do Real Madrid no Brasil. O Rodrigo Caetano [então diretor de futebol] tinha melhor relação com ele, que observou o Vinicius por muito tempo.

Outras equipes também fizeram o mesmo, mas o Juni teve a competência de conseguir convencer o jogador", disse o ex-presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

É o mesmo trabalho que realizou, mas a longo prazo, na aquisição do belga Eden Hazard, que estava no Chelsea. Calafat passou dois anos viajando regularmente a Londres para conversar com o jogador, seus familiares e representante para viabilizar a aquisição fechada em julho de 2019 por 100 milhões de euros (R$ 460,5 milhões). 

A história se repetiu na aquisição do japonês Takefusa Kubo, apelidado de Messi japonês e pretendido também pelo Barcelona.

No cargo de chefe de captação desde 2014, Calafat tem relação mais antiga com o clube. Vem desde os tempos em que trabalhou como comentarista para programas de televisão do Canal Movistar+, da Espanha, como "Fiebre Maldini" ou "Fútbol por el Mundo".

A capacidade de cativar brasileiros o fez se tornar grande amigo de outros que passaram pelo Real Madrid, como Kaká, Roberto Carlos e Ronaldo. Ainda mantém relação com todos eles.

Seu cartaz dentro do clube cresceu com a chegada de Casemiro em 2013, um nome que o captador insistiu com os dirigentes que daria certo no Real Madrid. Desde então, o volante foi peça importante em quatro títulos de Champions League. 

Também participou de outras negociações, como a do também brasileiro Lucas Silva e do norueguês Martin Ødegaard, considerado futuro craque mas que hoje, aos 20 anos, está na Real Sociedad.

Apesar de ser bem visto no clube e considerado um dos mais importantes auxiliares do presidente Florentino Pérez, nem tudo em que Calafat tocou virou ouro.

Ao assumir o cargo de chefe de captação para a América do Sul, ele enviou mensagens para grupos de WhatsApp de agentes de futebol dizendo que o Real Madrid Castilla, a equipe B do clube, procurava atacantes de 19 a 22 anos. Ele pedia indicações. 

Sites de notícias dedicados ao Real Madrid publicaram que o time procurava reforços por meio de aplicativo de mensagens, o que provocou críticas. 

Barrado pela assessoria de imprensa do Real Madrid, Calafat não dá entrevistas. 

ALEX SABINO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) 

Imprimir