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Saída do volante Gabriel deixaria 3 brechas no Corinthians

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O Corinthians deve anunciar ainda nesta sexta (30) a venda do volante Gabriel para o Al-Hilal, da Arábia Saudita. Em sua terceira temporada no clube, o camisa 5 tem uma proposta de 6 milhões de euros (R$ 25,3 milhões) e ontem já falou em tom de despedida do clube.

Ele foi titular no empate em 1 a 1 com o Fluminense, que garantiu classificação do clube para as semifinais da Copa Sul-Americana, mas verá a briga corintiana título inédito somente como torcedor.

Campeão brasileiro em 2017 e tri do Paulista (2017, 2018 e 2019) pelo Corinthians, Gabriel deixa o clube com 138 jogos e quatro gols marcados. Mais do que os números, sai de cena a quatro meses do fim do ano e deixa três importantes lacunas. 

A começar pelo fato de que é um titular incontestável no time do técnico Fábio Carille nas campanhas da Sul-Americana e do Brasileirão -torneio em que a distância para o líder Flamengo é de apenas cinco pontos após 16 rodadas.

"Se o Gabriel for vendido, obrigado por tudo. Se realmente fechar, fica meu respeito e carinho. No início da minha carreira, em 2017, você [Gabriel] fez parte. Faz parte do futebol, temos de estar preparados para isso", disse Fábio Carille, técnico do Corinthians.

A contratação de Gabriel, em janeiro de 2017, ocorreu de forma inusitada. Ele jogou até o fim do ano anterior pelo Palmeiras, principal rival do Corinthians, e comemorou o título brasileiro de 2016 com entusiasmo e até cantos provocativos aos outros grandes clubes paulistas.

Após a chegada ao Corinthians, a revelação: ele era torcedor do clube de infância e estava realizado em vestir a camisa alvinegra. Em campo, a identificação com o torcedor foi imediata ao longo das três temporadas, recheadas por títulos e boas atuações. Sua provável saída tem sido muito lamentada.

Gabriel teve posição ameaçada e até perdida no Corinthians após a repatriação do ídolo Ralf, em fevereiro do ano passado. Neste ano, por exemplo, passou cinco meses sem jogar entre lesão e falta de espaço.

Mas entrou no time após uma contusão muscular do concorrente e não saiu mais: está na sequência invicta de 12 partidas após a pausa da Copa América e se firmou graças à qualidade na saída de bola superior à de Ralf, deixando o time mais vertical. 

Há no clube quem diga que ele vivia em 2019 sua "melhor versão". Gabriel seguiria mantendo um ídolo do Corinthians no banco se não fosse negociado.

Estes cinco meses sem espaço tornaram Gabriel um exemplo de jogador perseverante no Corinthians. Mesmo com história consolidada no clube, ele não pediu para ser negociado ou diminuiu o ritmo nos treinamentos durante o ostracismo. Fábio Carille o vê como exemplo dentro de um elenco numeroso de peças, em que nem sempre há as mesmas oportunidades para todos.

Após a classificação na Sul-Americana, o Corinthians volta a campo neste domingo (1º), quando enfrenta o Atlético-MG, às 19h (de Brasília), em Itaquera, pela 17ª rodada do Campeonato Brasileiro. 

O técnico Fábio Carille não escalará um time "recheado" de reservas como fez na última rodada, quando o Corinthians empatou com o Avaí, mas deve poupar alguns titulares. Clayson e Pedrinho, que foram substituídos contra o Fluminense no segundo tempo sentindo dores, preocupam.

A chance de Pedrinho ser poupado é muito grande, porque o jogador realizou tratamento contra dores no quadril durante esta semana para enfrentar o Fluminense. Everaldo, que não pode atuar na Sul-Americana por já ter defendido o Fluminense na competição, deve ser titular. 

Everaldo, aliás, foi escalado desde o início nas últimas duas rodadas do Brasileirão: na vitória sobre o Botafogo e no empate com o Avaí.

GABRIEL CARNEIRO E SAMIR CARVALHO
SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS)

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