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Lagoa de Parnaguá já perdeu 94% de extensão de água, diz especialista

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Estudos apontam que a redução no volume de água da Lagoa de Parnaguá, no extremos Sul do Piauí, é uma das mais críticas do estado. Há mais de cinco anos de pesquisas em bacias da região Sul do Piauí, o doutor em Desenvolvimento e Meio Ambiente, Reurysson Chagas, alerta para a redução de 94% da extensão do volume de água de 1985 para 2019.

Em setembro de 2019, a lagoa possui apenas 6% do que tinha há 30 anos. O pesquisador, que é lotado no curso de Tecnologia em Geoprocessamento do Instituto Federal do Piauí,  explica que a ação humana é um dos fatores principais para a degradação da lagoa. A agricultura desordenada na região de toda a bacia do Rio Paraim reflete na redução do volume de água. 

O professor afirma que a ocupação de residências às margens da lagoa não afeta diretamente o volume do reservatório. “Na verdade, a bacia hidrográfica do Rio Paraim é que está sendo bastante ocupada. Nós temos uma área expressiva de ocupação da agricultura e pastagem desde 85 para cá e a introdução da soja a partir de 2010 e o aumento da produção de arroz ocupou bastante essas áreas”. 

Foto: Yasmin Cunha/Cidadeverde.com

Especialista mostra mapa que retrara ocupação agrícola na região da bacia nos anos de 1985 e 2005.

Para Reurysson, a maneira de lidar com o plantio deve ser avaliada. “Na verdade é o modo como se faz. Você pode fazer isso de modo controlado, atendendo os princípios ambientais, de conservação de solo e água”, pontuou.

Uma das alternativas apontadas para a escassez de água é garantir o manejo da bacia hidrográfica. “É a gente fazer intervenção na bacia de modo a propiciar a conservação do solo e preservação da água. Envolve técnicas de plantio, de replantio de mudas nativas, e isso vai compensando a degradação ao longo do tempo”, assinala.

Segundo os especialistas, o processo de recuperação pode durar de 10 a 30 anos até que a bacia tenha um volume regular. Outros reservatórios como o Açudes de Caldeirão em Piripiri e a Barragem Mesa de Pedra em Valença também são monitorados, mas são considerados estáveis à nível de volume de água ao longo do tempo. 

Valmir Macêdo
valmirmacedo@cidadeverde.com

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