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Demetrios Galvão sobre livro Reabitar: forma de pensar a fala, o gesto e a existência

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Foto: Divulgação

O escritor Demetrios Galvão lança, na edição desta sexta-feira (18) da Roda de Poesia Tensão,Tesão e Criação, o quinto livro de poemas da sua carreira: Reabitar. 

A obra, publicada pela Editora Moinhos, traz 30 poemas, ilustrações do artista visual piauiense Rogério Narciso e um posfácio da escritora paraense Wanda Monteiro.

Demetrios adianta que Reabitar é uma forma de pensar a fala, o gesto e a existência. "Reabitar o pensamento, se apoderar das palavras, das sensibilidades necessárias e essenciais para viver. Viver com saúde, com lucidez, exercitando a musculatura do pensamento e se alimentando da energia proporcionada pelos afetos", explica o escritor. 

Demetrios considera que a sociedade vivencia momentos tensos, de "barulho enorme". Com o livro Reabitar, a intenção do escritor é falar pouco e baixinho ao leitor, uma voz sussurrada que chega como segredo, um som litúrgico de revelação.

"É tomar a palavra como abrigo, reabitar a palavra ancestral, mágica, mítica. Um exercício filosófico de alimentar o mistério, os enigmas. Uma filosofia da criação que parte do visível para o invisível, do material para o imaterial", diz Demetrios. 

Demetrios Galvão, nasceu e vive na cidade de Teresina.  É poeta, editor e professor de História. Autor dos livros de poemas Fractais Semióticos (2005), Insólito (2011), Bifurcações (2014), O Avesso da Lâmpada (2017), Reabitar (2019) e do objeto poético Capsular (2015). Em 2005 lançou o CD de poemas Um Pandemônio Léxico no Arquipélago Parabólico. 

O lançamento de Reabitar será nesta sexta-feira (18), às 18h, dentro da programação da Roda de Poesia Tensão, Tesão e Criação. O evento será realizado na Praça Pedro II, no Café Art Bar. 

Veja alguns poemas que estão no livro

travessia



saltar do visível para o invisível 
pela palavra
travessia que avança 
sobre a mortalidade 
e prolonga a finitude

nesse espaço 
deitar sobre a vida e a morte
plantar o coração 
e esperar que germine
entre as mãos da terra

– ficar vazio do mundo
encontrar o silêncio primeiro.

 

(janeiro, 2019)

 

teoria mortal 

do esquecimento



na noite estendida 
dos viajantes 
sonâmbulos

buscávamos especiarias
nas artérias alagadas
da infância

a memória
úmida em suas 
reminiscências

encontramos
um mapa inacabado
onde fomos
continente

descobrimos
a teoria mortal 
do esquecimento.

 

(abril, 2017)


Izabella Pimentel
redacao@cidadeverde.com 

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