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Primeiras defensoras populares já estão aptas a atuarem nas comunidades

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Foto: Ccom

Em solenidade realizada no auditório da Casa de Núcleos da Defensoria Pública, 26 lideranças femininas da região do Itararé receberam, em clima de grande emoção, o diploma de concludentes do Curso Defensoras Populares.  A formatura foi presidida pelo defensor público geral do Piauí, Erisvaldo Marques dos Reis, e pela subdefensora pública geral, Carla Yáscar Bento Feitosa Belchior, que é a responsável pela implantação do Projeto Defensoras Populares no estado, contando ainda com a presença da deputada federal Rejane Dias, defensores públicos, representantes de instituições parceiras e familiares das formandas.

Durante o lançamento, teve apresentação artística do Grupo de Teatro Flagelo do Itararé que retrarou a realidade feminina no enfrentamento às várias formas de violência.

A  embaixadora da campanha “Não é Não”, que visa o combate ao assédio a mulheres, jornalista Luana Sena, falou sobre a proposta e convidou todas as presentes a aderirem à iniciativa. “Foi maravilhoso participar de um evento que marca a culminância de um projeto bonito e necessário, como a formação das defensoras populares. São essas mulheres que estão com a gente na luta pelos nossos direitos, e que vão me ajudar a disseminar a mensagem do “Não é Não”, esse coletivo nacional que luta pelo fim do assédio contra a mulher no Carnaval de rua e que agora chega ao Piauí. Com a força delas e de todas vamos fazer um Carnaval 2020 sem assédio e violência, porque nosso corpo não é um convite”, disse Luana.

Também presente a professora Andrea Marreiro, presidente do Instituto Esperança Garcia, falou sobre a parceria com a Defensoria Pública, por meio do Projeto “Esperançar”,  que visa levar obras de autoras negras para conhecimento da população. “A Defensoria Pública é uma instituição que está extremamente muito mais comprometida com a defesa dos direitos humanos, com os direitos das mulheres do que quaisquer outras”, disse Marreiro.

O ouvidor-geral da Defensoria, Nayro Victor Lemos Resende Leite, manifestou-se sobre a indicação do local para realização do primeiro curso. “Quando vi o projeto olhei  logo para a Associação de Moradores do Itararé, que tem um estrutura conseguida com muita luta, que tem uma história em Teresina e hoje é comandada por uma grande guerreira chamada Conceição”, disse o ouvidor.

Carla Yáscar Belchior externou toda a alegria em formar a primeira turma de Defensoras Populares e agradeceu o incentivo recebido de todos os envolvidos. “Esse projeto foi possível graças ao apoio que recebemos de todos vocês e esse é um dos compromissos da gestão, levar a Defensoria para perto das pessoas . Com o Projeto Defensoras Populares buscamos formar lideranças femininas que agora serão multiplicadoras  dos conhecimentos recebidos junto às suas comunidades. Agradeço imensamente às nossas defensoras que ministraram os módulos e abraçaram essa causa. E a vocês que hoje se formam, digo que foi muito gratificante ver cada uma ali firme, nos ouvindo com tanta atenção, com tanto respeito pela causa  e muitas já começando, mesmo antes da conclusão do curso, a trabalhar dentro de suas comunidades. Isso significa que o nosso projeto já está frutificando. A Defensoria precisa estar sempre perto da população e as defensoras populares irão nos ajudar  a ter essa maior proximidade, a chegar mais perto das pessoas, sendo multiplicadoras e irão orientar as pessoas, levar a mensagem da Defensoria a quem precisa de informações e assistência. Vocês são tão importantes e valorosas nesses tempos difíceis  de ódio e retrocesso de direitos. Poder fortalecer cada uma de vocês nessa luta nos torna muito mais felizes”, afirmou a defensora.

As defensoras públicas do Núcleo de Defesa da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, que exerceu papel significativo na execução do projeto, também se manifestaram. “Quando as coisas vêm do coração são muito mais valiosas, por isso muito obrigada defensoras populares, porque vocês me ajudaram a realizar um sonho. Esse é um projeto no qual já tinha interesse faz tempo, mas acredito que as coisas acontecem sempre na hora certa. Esse projeto é pura paixão pelo potencial transformador que vocês têm, pelas mulheres que vocês são. Hoje quero agradecer por terem dado todo o sentido à minha função de defensora”, disse Lia Medeiros do Carmo Ivo, que coordena o núcleo.

Verônica Acioly de Vasconcelos, titular da 2ª Defensoria Pública da Mulher, além de enaltecer o projeto, aproveitou para cobrar um olhar diferenciado para a Defensoria. “Precisamos de políticas públicas para as mulheres e para  a Defensoria, somos a instituição do Sistema de Justiça que tem o menor orçamento e somos a que tem mais credibilidade da população. Sou mulher, luto pelos direitos da mulher e sou defensora pública, então, todos os cruzamentos da minha vida olham que esse espaço como sagrado e a precisamos de vocês, defensoras populares, para essa luta. As mulheres lideres comunitárias precisam difundir o que é a Defensoria Pública”, disse Vasconcelos.

A deputada Rejane Dias destacou estar encantada com o projeto e prometeu buscar incentivos para fortalecer a instituição. “Esse momento nos emociona com a experiência desse projeto, que acontece realmente em um momento muito complicado de retirada de direitos no país. Por isso faço questão de compartilhar essa experiência na Câmara dos Deputados, para que essa boa prática da Defensoria Pública do Estado do Piauí possa ajudar outros estados por todo o Brasil. Peço que vocês levem os projetos da Defensoria até os  parlamentares que precisam estar informados sobre eles quando da destinação de emendas, quanto a mim, vou conversar com o governador,  por entender a importância da instituição Defensoria Pública. Quero ressaltar que foi muito válido poder estar aqui com vocês, disse a parlamentar.

Erisvaldo Marques falou sobre os ganhos proporcionados com a realização do projeto. “Esse é um momento de grande emoção. Vejo em cada uma de vocês, defensoras populares, histórias de vida que se cruzam na busca por igualdade e direitos. Esse é um momento de muita alegria para a Defensoria Pública pois a essência da nossa instituição é a humanidade e educação em direitos, tanto que embora a cada ano estejamos alcançando mais atendimentos, em nossas ações contabilizamos pessoas, gente, os números são somente uma consequência. Entendemos que é pela educação em direitos que se modificam muitas realidades e é isso que pretendemos com a realização do Projeto Defensoras Populares, que é muito gratificante para a Defensoria. Desde o início da gestão, procuramos estar ao lado dos que mais precisam e é isso que estamos fazendo ao empoderar vocês para que levem informações às suas comunidades. Precisamos de cada uma para nos fortalecer nessa luta por assegurar os direitos das pessoas”, afirmou o defensor.

As novas defensoras populares aproveitaram para se manifestar sobre a capacitação. “Estou vibrando, meu coração está palpitando. É um momento importantíssimo, estou muito feliz e agora formada. Acho que essa formação veio no momento certo porque precisamos muito dela e tudo que vimos nos módulos vamos poder aplicar no dia a dia da nossa comunidade, foi uma ideia maravilhosa oferecer para as lideranças comunitárias esse curso, porque nos dá subsídio para nossa luta, nosso trabalho, no cotidiano da nossa comunidade”, afirmou Maria dos Remédios Silva, presidente da Associação de Mulheres do Itararé .

A formanda Maria Rita Alencar achou o curso excelente. “Muito bom, excelente. As palestras das defensoras e como elas fizeram os esclarecimentos sobre a mulher, tudo que falaram”, disse a concludente.

Conceição Mendes, presidente da Associação de Moradores do Itararé, falou sobre a aplicação do que foi aprendido. “Vai nos ajudar muito, porque tivemos muitas aulas sobre assuntos que sabíamos mas não com certeza, então, a capacitação foi muito importante porque a partir dela a gente vai poder dar orientações com coesão, o que vai ajudar bastante a comunidade que é muito carente de informações. Estamos nos propondo, a partir desse curso, a atender melhor, aqueles que nos procuram. O sentimento é de gratidão por tudo que recebemos das defensoras, sentimos nelas a segurança na defesa dos menos favorecidos”, destacou a liderança.

Da redação
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