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Concentração de campeões cresce no Brasileiro, mas está longe da Europa

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O Campeonato Brasileiro conheceu em 2019 o seu quinto campeão diferente nos últimos dez anos. Com o título desta temporada, o Flamengo se juntou a Corinthians, Fluminense, Cruzeiro e Palmeiras entre as equipes que levantaram a taça de 2010 para cá -os corintianos foram tricampeões, enquanto os outros três se sagraram bicampeões no período.

A competição, porém, já foi mais democrática. Levantamento feito pela Folha de S.Paulo, com a distribuição de títulos desde 1980, mostra que em outros períodos já houve um número maior de vencedores.

Com cinco clubes campeões, o último período de dez anos (2010 a 2019) foi o menos equilibrado. De 2000 a 2009, o Brasileiro conheceu sete campeões distintos, mesmo número do recorte de 1990 a 1999. Entre 1980 e 1989, o torneio distribuiu ainda mais taças a diferentes equipes, com oito campeões diferentes.

Apesar de estar mais concentrado, o Brasileiro ainda exibe maior variedade na lista de vencedores do que as seis principais ligas europeias: Inglaterra, Alemanha, Espanha, Itália, França e Portugal.

Nos últimos dez anos, só a França, com cinco campeões diferentes, foi tão diversa quanto o Brasil nesse aspecto.

Mas com uma particularidade: os franceses têm assistido à crescente hegemonia do Paris Saint-Germain, dono de seis títulos nas últimas sete temporadas graças principalmente ao investimento do Qatar Sports Investment, que adquiriu o clube em 2011.

No Campeonato Francês, o período de 1990 a 1999, mais diverso em termos de equipes campeãs, viu sete times distintos terminarem a liga na primeira colocação.

Considerado o principal torneio nacional do planeta, a Premier League, entre as ligas da elite europeia, é a segunda com maior distribuição de títulos em diferentes times.

De 2010 a 2019, Manchester United, Chelsea, Manchester City e o pequeno Leicester levantaram o troféu do torneio.

O recorte inglês mostra que os últimos dez anos foram mais equilibrados que os dez anos anteriores, quando somente três clubes levantaram a taça entre 2000 e 2009.

Na Espanha, o Barcelona tem sido o grande responsável pela desigualdade da liga quando o assunto é distribuição de taças. Sete vezes campeão de 2010 para cá, foi atrapalhado somente por Real Madrid, com dois títulos, e Atlético de Madri, com um.

Também com três clubes campeões desde 2010, a Itália tem visto a Juventus construir uma hegemonia nacional. Já são oito títulos seguidos para o clube de Turim -a Inter de Milão, na temporada 2009/2010, e o Milan, na edição 2010/2011, foram os outros dois vencedores no período.

Os campeonatos alemão e português são ainda mais desiguais atualmente que as ligas espanhola e italiana.

Na Alemanha, nesse mesmo período, só dois clubes levantaram a taça: Bayern de Munique e Borussia Dortmund. Desde a temporada 2012/2013 que a Bundesliga não conhece outro vencedor que não o time bávaro, campeão de oito das últimas dez edições.

Já nos períodos períodos de 2000 a 2009 e 1990 a 1999, o Campeonato Alemão teve cinco campeões diferentes.

Em Portugal, Benfica e Porto foram os únicos campeões nos últimos dez anos. Os benfiquistas conquistaram seis campeonatos no período, enquanto o Porto ficou com os outros quatro troféus.

Há um outro recorte que também ilustra a concentração de conquistas na liga portuguesa em comparação com o Campeonato Brasileiro.

Levando em conta o período de 2003 a 2019, ou seja, quando o Brasileiro passou a ser disputado em pontos corridos, os dois maiores campeões portugueses nessas 17 ligas, Benfica e Porto, foram responsáveis por 100% das taças.

No Brasil, de 2003 para cá, o Corinthians, quatro vezes campeão, e a dupla São Paulo e Cruzeiro, com três títulos cada um, concentraram 58% dos troféus da competição.
Nos 17 campeonatos anteriores, isso é, de 1986 a 2002, o Brasileiro foi significativamente mais democrático.

Apesar de Corinthians e Vasco terem conquistado o título em três vezes, e São Paulo e Palmeiras terem ficado com duas conquistas, os maiores vencedores no período representaram apenas 35% do total.

BRUNO RODRIGUES E DANIEL MARIANI
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS)

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