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Marinha aponta regras para kitesurf e jet ski para evitar acidentes

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Foto: reprodução / Whatsapp

Turistas que estão no litoral do Piauí reclamam do risco que a prática de kitesurf em locais não reservados tem causado aos banhistas. Imagens que circulam nas redes sociais mostram os praticantes de kitesurf misturados a banhistas, apesar de já existirem áreas definidas para o esporte. 

O médico Frank Janes, de Cajueiro da Praia, fez um desabafo sobre o perigo. "Alguns praticantes e instrutores insistem na prática em qualquer ponto das praias inclusive em áreas reservadas aos banhistas, com risco de acidentes, principalmente pela grande frequência de iniciantes no esporte". 

Ao Cidadeverde.com, a turista Eduarda Ribeiro também não esconde o medo. "Parece que não existe regra. Não vi, até agora, nenhum acidente, mas eu acho muito complicado porque pode acontecer de alguém que está banhando no mar ser atropelado com o kite", diz a arquiteta.

Marinha

O comandante da Capitania dos Portos no Piauí, Benjamim Dante Lima, disse ao Cidadeverde.com que a Marinha está, desde o dia 20 de dezembro, realizando uma operação de fiscalização nas praias do Estado, contando, inclusive, com uma equipe de fuzileiros navais de Belém (PA).

Porém, o ordenamento da costa marítima é função do Estado e do município. O comandante explica que foram feitas reuniões para tratar sobre o assunto, mas ainda não há definições. 

"Os municípios e Estados devem implementar políticas públicas voltadas para o ordenamento do espaço costeiro. Já fizemos reuniões com o pessoal do kitesurf e com a prefeitura para chegar a um consenso, para saber onde é o local do kitesurf, onde é o local dos banhistas, e o local das embarcações. Em outros estados já existe o ordenamento, mas aqui, não", justifica.

Foto: Isabel Lupiañez

Algumas leis, no entanto, precisam ser respeitadas. "A moto aquática (jet ski), por exemplo, só pode navegar quando se distancia 200 metros da linha da praia, a não ser quando está entrando ou saindo da água, de forma perpendicular, e em baixa velocidade", explica o comandante.

Já o kitesurf tem o mesmo enquadramento do surf. "A Marinha não pode multar. Tem que solicitar que ele não atinja a área dos banhistas. Mas para isso, precisa do ordenamento, as áreas precisam ser demarcadas, só assim a gente pode ", argumenta. O comandante, entretanto, afirma que as fiscalizações continuarão sendo realizadas. "Vou determinar uma inspeção no litoral para ver se está havendo interação entre kitesurf, embarcações e banhistas", diz.

Projeto em Brasília

O instrutor de kitesurf Bruno Elisiário explica que, recentemente, foi enviado a Brasília um projeto com as demarcações e que atualmente há duas áreas para katesurf. "Nós temos duas kate zones, o banhista pode banhar, mas a prioridade é do kite. A gente tem regras, explica as regras, mas nem todo mundo segue. Aqui, para velejar tem que estar a 100 metros da praia, não pode estar perto dos banhistas, mas muita gente não segue", pondera.

Para o médico Frank Janes, muitos instrutores não são ao menos credenciados, por isso não levam em consideração as regras.

"Instrutores não credenciados se aventuram a dar aulas sem considerar a segurança de banhistas e pedestres. Há necessidade urgente de sinalização com bóias e placas orientadoras nas praias sobre o zoneamento para prática. Em determinada área do Povoado Barrinha, tivemos que colocar bóias demarcadoras para banhar com segurança relativa. O mais grave é que não existe nenhuma fiscalização para a prática segura do esporte", explica o médico. 

Segundo ele, houve uma audiência neste ano com representantes da comunidade, pescadores, pousadas, instrutores e ICMBio e ficaram definidas as seguintes regras: 

Jordana Cury
[email protected]

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