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Com veto a memes, diretores de clubes da Série A debatem finanças

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Na reunião entre os responsáveis pela gestão e finanças das 20 equipes da elite do Campeonato Brasileiro, há uma condição expressa: é proibido qualquer comentário ou provocação sobre o que acontece dentro de campo entre os times.

Foto - Leandro Boeira/Avaí

 

A Associação Brasileira de Executivos de Finanças (ABEFF) é uma entidade nova, fundada em meados de 2018 a partir de uma iniciativa de dirigentes de Atlético-MG, Botafogo e São Paulo. Há duas mulheres que estiveram nos encontros no ano passado, Sandra Mara de Jesus, do Avaí, e Thays Moraes, do CSA.

A ideia surgiu como um grupo de WhatsApp e ganhou corpo. Os representantes começaram a organizar encontros bimestrais há um ano, em meio à polarização de Flamengo e Palmeiras na liderança da arrecadação entre os clubes do país e ao surgimento de temas relacionados à política do esporte.

Exemplos disso são as discussões de leis que preveem incentivos para os clubes se transformarem em empresas e o empenho do governo federal para regulamentar o mercado de apostas online.

Além do veto às provocações e aos memes, os dirigentes participantes também são orientados a manter em sigilo informações sobre resultados operacionais das agremiações e não expor publicamente as opiniões dos participantes.

Em uma das últimas reuniões, por exemplo, a pauta tinha 18 itens. O primeiro deles tratava da importância de constituir uma associação de clubes para explorar comercialmente todas as propriedades do futebol, sem qualquer envolvimento da CBF.

A espécie de liga teria autonomia para negociar os direitos de transmissão internacional, o que a CBF não conseguiu em 2019, e também para fechar contratos coletivos com empresas de games, como EA Sports ou Konami, assim como ocorre na Premier League e na Bundesliga.

No segundo e terceiro itens da pauta, os 20 diretores discutiram como aprimorar os ganhos dos clubes com as cotas de TV, as imposições que deverão ser feitas nas próximas negociações com o Grupo Globo e o futuro das competições estaduais.

Em 2019, a ABEFF nomeou uma diretoria e estabeleceu nove comissões para desenvolver temas como: clube-empresa; criação de um mecanismo de fair play financeiro para controle de gastos; contratos de TV; questões tributárias, contábeis e políticas para reduzir gastos (desde logística até pagamentos de luvas e premiações); novas receitas e tecnologia (apostas esportivas, marketing e venda de produtos esportivos).

"O foco é financeiro, mas temas relevantes de outras áreas são discutidos a partir do interesse conjunto de tornar a indústria do futebol mais forte, maximizando o resultado dos clubes", disse o presidente da ABEFF, Elias Barquete Albarello, diretor executivo de finanças do São Paulo.

Além do são-paulino, a diretoria da ABEFF é composta por um vice-presidente, Giovane Zanardo, do Internacional, pelo primeiro-secretário, Cristiano Koehler, do Palmeiras, e pelo segundo secretário, João Paulo Silva, do Ceará.

"Esse grupo foi constituído com o objetivo de aprender com as experiências de todos os clubes. O Cruzeiro é um exemplo que agora vai sofrer muito com o alto endividamento e poucas receitas na Série B", disse Silva.

A equipe mineira chegou a ter o maior faturamento do futebol brasileiro em 2015, com receitas totais de R$ 459 milhões (atualizados), à frente de Flamengo (R$ 449 milhões) e Palmeiras (R$ 444 milhões), segundo levantamento da Folha de S.Paulo utilizando balanços dos times brasileiros.

Os quatro rebaixados à Série B em 2019, Avaí, Chapecoense, Cruzeiro e CSA, ainda não foram removidos do grupo. De acordo com o presidente da ABEFF, as regras entraram em vigor no ano passado e já estabeleciam que os rebaixados permanecessem, pelo menos em 2020.

No começo deste ano, os responsáveis pela gestão de Red Bull Bragantino, Atlético-GO, Coritiba e Sport, recém-promovidos à Série A, foram adicionados. Os executivos dessas oito equipes, porém, só poderão concorrer a cargos na associação se continuarem na elite do futebol brasileiro em 2021.

"A nossa preocupação é somente aprender com erros e acertos. Os clubes que hoje estão polarizando fizeram uma boa lição de casa, esse é o único caminho", disse o diretor de finanças e planejamento do Atlético-MG, Paulo Braz. Ele assegura que não tirou proveito da infelicidade do rival para usar qualquer ironia ou disparar memes no grupo.

Os dirigentes já se encontraram em Belo Horizonte, Curitiba, Florianópolis, Fortaleza, Rio de Janeiro e São Paulo. A primeira reunião deste ano, segundo Albarello, deverá acontecer em fevereiro, na cidade de Goiânia.

CARLOS PETROCILO
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) 

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