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Seis mulheres denunciam presidente de Sindicato por assédio e importunação

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Foto: Rosemeire Nascimento a pedido do Cidadeverde.com

A delegacia de Alto Longá abriu inquérito para apurar crime de assédio e importunação sexual, que teriam sido praticados pelo presidente do Sindicato dos Trabalhadores Rurais da cidade, Miguel Lisboa Pereira. Seis mulheres prestaram queixa do crime. 

Os crimes teriam sido cometidos na sede do sindicato entre os anos de 2011 e 2019. O Cidadeverde.com conseguiu contato com uma das vítimas, que informou que teria sido vítima do presidente quando tentou tirar a carteira de trabalhadora rural no ano passado. 

Segundo a trabalhadora rural, ao ficar sozinho com ela, teria começado a perguntar qual sua preferência de tamanho de genitália masculina e se ela ficaria com ele por dinheiro. “Eu fiquei porque precisava da carteira e no final ainda perguntou se eu não ia dar um beijo nele. Saí correndo e quando cheguei em casa chorei muito. Depois decidi denunciar”, informou a mulher de 27 anos. 

Ela conta que mais cinco mulheres prestaram queixas, depois dela. “Eu descobri umas 17 vítimas, mas até agora só cinco foram prestar queixa. Tem mulheres que estão traumatizadas e têm medo”, afirmou. 

O delegado Paulo Roberto Nogueira, titular da delegacia de Alto Longá, informou que recebeu as denúncias e que abriu inquérito para investigar. Ele disse que pelo que ouviu das vítimas até o momento, nenhuma se caracteriza estupro. 

“Cada uma tem uma história, umas dizem que foram molestadas, desrespeitadas e que estavam sozinhas com ele, se caracteriza até agora, assédio, importunação sexual”, ressaltou Paulo Nogueira. 

O delegado afirma que as acusações são antigas. “São relatos de 2011,2016,2018 e 2019. Elas não se recordam muito bem dos detalhes, mas contam como aconteceu. Com exceção da última que detalhou toda a situação”. 

Nesta segunda-feira (17), o suspeito compareceu para prestar depoimento. De acordo com o delegado, Miguel Lisboa nega as acusações e apresentou duas testemunhas que estariam no momento em que a última vítima estaria no sindicato. “

“Ele nega os crimes, apresentou duas testemunhas do caso mais recente, que foi a partir dela que as demais compareceram. Ele disse que essas duas outras pessoas estavam no sindicato quando ela foi lá. Foram intimadas e ouvidas. Mas, mesmo com testemunhas, eu vejo sinceridade em todas as mulheres e acredito que ele tenha assediado ou importunado todas elas, e este crime é cometido entre duas pessoas”, destacou o delegado. 

Paulo Roberto Nogueira informou ainda que deve concluir o inquérito até a próxima semana, depois de avaliar todos os depoimentos. “Asseguro que não houve estupro ou tentativa de estupro, acredito que esses novos crimes como importunação e assédio sexual, mas quero avaliar de fato  o que cada conduta se caracteriza”, ressaltou. 

Cunho político

Segundo o advogado de defesa do presidente do sindicato, as denúncias têm cunho político e são uma estratégia de opositores da direção. “Está chegando o ano eleitoral e a diretoria tem que se renovar em 30%. Um grupo já começa a se articular e quer denegrir a imagem do presidente que teve uma votação muito expressiva principalmente na região dele”, explicou.

Ao Cidadeverde.com, o advogado disse que as denúncias são infundadas e fazem parte de um “grande circo” da oposição. “Não há nenhuma denúncia de mulheres membros da direção do sindicato, que conviviam com ele diariamente. As supostas vítimas são sócias ligadas ao grupo político que rompeu com o presidente”, informou.

A defesa ainda nega que as denúncias de porte de arma e ameaças de morte a dirigentes sindicais. Para ele, os boatos são uma estratégia da oposição para afastar o presidente Miguel Lisboa do ambiente sindical. “Ele está disponível para esclarecimento à polícia e à Justiça e tem o compromisso em esclarecer a verdade”, assegurou a defesa.

O delegado rebateu a versão do advogado do presidente do sindicato, de que seria uma briga política pelo cargo. Ele disse que isso não foi levado em consideração, porque alguns dos relatos são de quando ele era somente um membro da diretoria e não o presidente. “Ele alega ter uma conotação política, mas isso não quer dizer que os crimes não ocorreram, até porque há relatos de quando ele nem era presidente. De certa maneira há sinceridade em todas as mulheres e é isso que nós da polícia estamos levando em consideração”, argumentou Paulo Nogueira. 

 

Caroline Oliveira e Valmir Macêdo
[email protected]

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