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Liga diz que sem dinheiro da prefeitura não há desfiles de escola de samba

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Fotos: Thiago Amaral/Cidadeverde.com

Chega o quarto ano consecutivo sem os desfiles das escolas de samba de Teresina na programação do carnaval da cidade. Os dirigentes voltam a alertar para a falta de recursos. Para a Liga das Escola de Samba, a ausência de apoio do poder público e os intervalos de tempo sem o samba na avenida dificultam a resistência do gênero no cenário cultural da capital.

O presidente da Liga das Escolas de Samba de Teresina e diretor da Skindô, Jamil Said, afirma que o desfile depende majoritariamente do apoio do município. Ele explica que todo o apoio que era recebido tinha como foco os foliões dos bairros de origem das agremiações carnavalescas.

“A prefeitura é o grande patrocinador do Carnaval de Teresina. É um carnaval caro, é um carnaval rico feito para gente pobre. A prefeitura dá esse dinheiro e todo esse dinheiro é revertido em fantasia para todos os foliões. Todas as oito escolas de samba dão a fantasia de graça”, explica o presidente da escola de samba fundada em 1975. 


Apresentação da Sambão em 2016, no último ano da edição do desfile.

O poder público, por sua vez, aponta falta de articulação das escolas de samba na busca por alternativas de financiamento. Abiel Bonfim, superintendente da Fundação Cultural Monsenhor Chaves, garante que a Prefeitura de Teresina, através da FCMC, esteve aberta ao diálogo com as escolas de samba.

“O carnaval de Teresina vem se transformando e os blocos de rua já tomaram de conta de todas as zonas da cidade. Os blocos buscam se viabilizar financeiramente, recebendo apenas um apoio da FMC através do edital de fomento que foi publicado no fim de 2019. Infelizmente não acontece o mesmo com as escolas, tornando-as completamente dependente do poder público, indo na contramão do que acontece no resto do país”, disse.

Nos últimos anos, a capital tem sido palco de criações de blocos de rua voltados principalmente para o período de pré-carnaval, como é o caso do Corso, que recebe forte apoio do município. Algumas escolas de samba, como o Grêmio Recreativo da Escola de Samba Sambão, chegaram a se apresentar como bloco de rua para não deixar de se apresentar no carnaval da cidade.


Apresentação da Sambão em 2016, no último ano da edição do desfile.

Para Jamil Said, o crescimento dos blocos de rua não é um fator que prejudica a adesão da população aos desfiles da escola de samba. 

“Bloco nenhum, Corso nenhum de Teresina vai acabar o brilho das escolas de samba. Tudo faz parte do carnaval. Quanto mais atividade tiver, melhor para o carnaval de Teresina e quem ganha é Teresina. Carnaval de escola de samba, carnaval espetáculo é completamente diferente dessas outras atividades que queiram fazer em Teresina. É acabar uma tradição de mais de 75 anos”, afirmou. 

PPP ainda não virou projeto

Em 2019 as escolas de samba apontaram a criação de uma parceria público-privada como alternativa para a viabilidade financeira do desfile das escolas de samba em Teresina. A iniciativa partiu da liga dos dirigentes das escolas. 

O Cidadeverde.com entrou em contato com a Secretaria Municipal de Concessão e Parcerias (Semcop) que informou não haver, no momento, “nenhum projeto para este setor”.

Para os dirigentes das escolas, o intervalo de anos sem os desfiles é prejudicial para as agremiações. “Sempre há esse intervalo vazio e esse intervalo vazio enfraquece. Agora se a escola de samba fosse contínua, se tivesse um projeto que dissesse assim: Teresina vai ter carnaval todo tempo. Aí a dinâmica estaria melhor”, afirmou Jamil Said.

Valmir Macêdo
[email protected]

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