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Ameaçado por impeachment, Peres não descarta disputar reeleição no Santos

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Foto: Ivan Storti/Santos FC

 

O presidente do Santos, José Carlos Peres, teria o terceiro processo de impeachment votado no Conselho Deliberativo do clube no último dia 16 de março não fosse o adiamento da reunião devido à pandemia do coronavírus. O mandatário, porém, não se intimida e, pela primeira vez, admite a possibilidade de disputar a reeleição na equipe.

O cartola está na última temporada do mandato e repetiu durante os dois primeiros anos que não tentaria se reeleger, pois "a mulher pediria separação". No entanto, em entrevista recente, o mandatário não descartou a possibilidade, já que acredita que ainda não encontrou um sucessor.

"Não posso afirmar nada sobre o que vai acontecer daqui a meses. Hoje a minha intenção é encontrar um sucessor com a mesma ética e transparência que tivemos nos últimos anos. Ainda não encontrei. É preciso saber também se alguém vai querer assumir o clube na situação em que se encontra", disse Peres, em entrevista ao canal do jornalista Jorge Nicola no YouTube.

As eleições do Santos costumam acontecer no início de dezembro, mas ainda não há nenhuma previsão de como se daria o processo diante do cenário da pandemia. A atual diretoria até tentou dar início ao processo do voto à distância, mas a questão enfrenta rejeição e ainda não andou no Conselho Deliberativo, que precisa aprová-la.

O processo de impeachment que seria votado pelo Conselho Deliberativo na reunião adiada fazia referência às contas reprovadas do ano de 2018, quando houve um déficit de R$ 77 milhões. A Comissão de Inquérito e Sindicância sugere sua instauração.

Peres se defende afirmando que o prejuízo apontado é irreal, pois a venda de Rodrygo ao Real Madrid só pôde ser incluída no balanço de 2019. Com o montante pago pelos espanhóis, cerca de R$ 190 milhões em duas parcelas, o resultado seria positivo.

No entanto, já contando com o dinheiro total da venda de Rodrygo, o Santos anunciou um superávit de apenas R$ 23 milhões em 2019. A soma dos dois períodos resultaria ainda em um déficit de mais de R$ 50 milhões.

O presidente José Carlos Peres já passou por dois processos de impeachment, ambos aprovados no mesmo dia em votação no Conselho Deliberativo do Santos.

O primeiro, liderado por Alexandre Silva, com 73 assinaturas, teve base em portaria criada por Peres determinando que as contratações do Santos só podem ocorrer mediante determinação do presidente, o que inflige o estatuto do clube.

Já o segundo, encabeçado por Esmeraldo Tarquínio, com 101 assinaturas, baseia-se nas empresas que eram mantidas pelo cartola no momento da eleição, Saga Talent e Peres Sports & Marketing, que atentavam contra o estatuto. Ambas foram fechadas.

Com a aprovação no Conselho, o processo seguiu para a Assembleia Geral de Sócios, e os associados votaram pela continuidade do presidente José Carlos Peres com boa margem.

EDER TRASKINI
SANTOS, SP (UOL/FOLHAPRESS) 

 

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