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Bolsonaro diz que cobrou Moro para contestar prisão de comerciante no Piauí

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Reprodução/TV Brasil

Em pronunciamento, na tarde desta sexta-feira (24), o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou ter cobrado o ex-ministro da Justiça Sérgio Moro para se posicionar contra o uso de algemas em prisões de pessoas que descumpriram medidas de isolamento social no país. Moro pediu demissão pela manhã. 

Entre os casos, o presidente citou a prisão de um comerciante no Parque Piauí, zona Sul de Teresina, na última segunda-feira (20). Marcos Sales, 29 anos, registrou boletim de ocorrência para denunciar a truculência dos policiais - ele alega que sua loja de confecções não estava aberta no momento. 

"Teve um clima, sim, pesado com o senhor ministro, na última reunião de ministros, onde eu cobrei dele, na frente de todos os ministros, que tomasse uma posição sobre a prisão e algemas usadas contra mulheres na praia, mulheres em praça pública, como de Araraquara (SP), o pobre humilde trabalhador do comércio do Piauí, como tantos outros. Ele tinha que mostrar sua cara. Ele tem amparo na Lei do Abuso de Autoridade", disse Jair Bolsonaro.

  • O trecho no qual Bolsonaro cita o episódio do Piauí - a partir do minuto 31:

Os outros casos citados pelo presidente envolveram a esposa do deputado federal Luiz Lima (PSL-RJ) e outras duas pessoas detidas na praia de Copacabana, no Rio de Janeiro (RJ), e uma mulher presa em Araraquara (SP) - todos por supostamente descumprirem medidas de isolamento social impostas na pandemia de Covid-19. 

Jair Bolsonaro afirmou que cobrou Sérgio Moro por conta de "tremendos absurdos" cometidos por prefeituras e governos estaduais. O presidente contesta medidas de isolamento social, como o fechamento de estabelecimentos comerciais. 

Para Bolsonaro, o Governo Federal deveria se posicionar em relação aos episódios citados. "E quem tem que fazer isso: o presidente ou o ministro da pasta responsável?", questionou. 

Sérgio Moro pediu demissão do Ministério da Justiça com acusações contra o presidente da República - entre elas por tentativa de interferência na Polícia Federal. 

 

Fábio Lima
[email protected]

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