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Pausa no calendário põe em xeque calmaria e status de rico do Flamengo

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Desde que a bola parou de rolar devido à pandemia da Covid-19, o ambiente do Flamengo, até então em paz por causa do desempenho em campo, tem sido sacudido por fatores que vão da guerra política à preocupação com o cenário econômico.

Ante as dificuldades que se avizinham, o Flamengo foi o grande avalista para o retorno aos campos. O presidente Rodolfo Landim foi o principal porta-voz deste discurso, mas os fatos se impuseram.

Seja em reuniões na Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) ou na CBF (Confederação Brasileira de Futebol), os casos cada vez mais volumosos da doença adiaram os planos de retorno.

A posição do mandatário flamenguista se opunha ao que imagina Marcos Braz, vice-presidente de futebol rubro-negro. Ao contrário de Landim, Braz entende que não há possibilidade alguma para o retorno.

O presidente tentou angariar até o apoio do governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), mas seus planos foram por água abaixo.

Sem receitas, o Flamengo estuda como diminuir as suas despesas e isso inclui debate sobre os vencimentos dos jogadores. De mais concreto, os rubro-negros irão reduzir em 25% dos salários acima de R$ 4 mil dos demais funcionários.

A angústia com as contas se explica também pela perda do aporte financeiro dos patrocinadores. A Azeite Royal anunciou o rompimento do acordo, enquanto a Adidas ainda não pagou os pouco mais de R$ 8 milhões semestrais que repassa ao caixa da Gávea.

Para esquentar ainda mais o clima, uma declaração do ex-presidente Eduardo Bandeira de Mello caiu como uma bomba no clube. Em entrevista ao jornalista Jorge Nicola, Bandeira disse que dificilmente o incêndio no Ninho teria ocorrido em sua gestão. A fala gerou uma rápida reação da atual cúpula, que emitiu nota oficial em repúdio.

O departamento de futebol também não passou ileso aos problemas durante a pausa: declarações do personal trainer Rafael Winicki, que tem cuidado do condicionamento físico de alguns atletas flamenguistas, revoltaram os profissionais do departamento médico rubro-negro.

A rixa teve início por Winicki não repassar ao Flamengo, segundo o próprio clube, relatórios dos trabalhos à parte que faz com alguns de seus clientes, casos de Diego, Rodrigo Caio e Gustavo Henrique, entre outros. O personal, no entanto, contestou a acusação, o que ampliou ainda mais o desgaste.

Além disso, o Flamengo tem de lidar com a pendência do novo contrato do técnico Jorge Jesus. Ele e sua comissão estão em Portugal, mas um novo acordo está prestes a ser redigido. Os portugueses desembarcam no Rio nos próximos dias.

LEO BURLÁ
RIO DE JANEIRO, RJ (UOL/FOLHAPRESS) 

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