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Covid: sem sintomas, não há necessidade de medicação, diz Carlos Henrique Nery

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O infectologista Carlos Henrique Nery Costa alerta que as pessoas sem sintomas da Covid-19 não precisam tomar medicamento para "tratar" a doença muito menos correr para o atendimento médico em uma unidade de saúde, pois há o risco de pegar a doença caso não esteja infectado. Hoje, há remédio comprovado apenas para o estágio grave da doença. 

O médico acrescenta que em casos de sintomas leves, até o momento, não há nenhuma comprovação científica que comprove o resultado positivo de medicamentos.  

"Não há necessidade (de tomar remédio), se não tem sintomas. E não tem nenhum remédio que seja útil para sintomas leves", ressalta o especialista, que acompanha a evolução da doença no estado. 

Em casos de sintomas leves, Carlos Henrique Nery destaca a importância do isolamento social para observar a evoluação, além de evitar uma possível transmissão a terceiros caso seja comprovado a Covid-19. 

O isolamento deve ocorrer por pelo menos uma semana a partir do início dos sintomas, qualquer que seja (tosse, febre, dor na garganta etc.). 

"Essa é a medida padrão, não precisa de exame para fazer isso. Agora, com sintomas fortes, tossindo muito, sentindo desconforto respiratório, está com falta de ar, não tenha dúvidas: precisa procurar um posto de saúde, principalmente as pessoas mais idosas. Com a falta de oxigênio, as pessoas ficam pouco confusas, precisa ficar atento aos idosos que muitas vezes não tem a percepção apurada da gravidade dos sintomas". 

O médico comenta que "a maior parte das pessoas não tem nenhum sintoma, se infectam, transmitem, se curam e pessoa nem sabe se teve. Algum tempo depois, faz o teste de anticorpo, o sorológico, e descobre que foi infectado em algum momento da vida".

Essa pessoa, preocupada, quer saber o que faz. "O quê faço? Testei positivo! Não tem que fazer nada! Testou positivo e a doença é regressa. O teste rápido sorológico só serve para dizer se esteve infectado. Algumas pessoas ficam mais sossegadas porque acreditam que estão resistentes. Nós imaginamos isso também, mas ninguém tem certeza que o teste rápido positivo indique imunidade. A princípio sim, pode ser que a pessoa ao desenvolver anticorpos esteja imunes, mas isso não está inteiramente sedimentado para nós médicos".

Sintomas Leves

O médico fala das pessoas que com sintomas leves caracteristicos da Covid-19 decidem fazer o teste rápido para a doença.

Nery Costa cita que se for comprovado apenas os sintomas leves, geralmente, a atitude do médico é não pedir pelo exame da Covid, mas oferecer aconselhamento ao paciente.

"Por que não vai pedir exames? Porque não há exame moleculares, PCR, para todos. (No Piauí), são três máquinas operando no momento e estão no limite da capacidade. E também não há necessidade e não precisam tomar nada. Não tem nenhum remédio que seja útil para quem está com sintomas leves".  

Há divulgações de vários medicamentos como a Hidroxicloroquina e a Ivermectina para sintomas leves, mas nada comprovado cientificamente. "Poderá ter efeito do (próprio) remédio (no organismo), mas benefício para a Covid não temos. Quero que as pessoas saibam isso: se você pegar uma receita (com esses medicamentos) e está sem sintoma, é bom checar com o médico: 'você tem certeza que está me passando isso? tem algum resultado? tem algum efeito'", recomenda o infectologista.

Sintomas graves

A partir do momento em que o paciente sente a falta de ar é que iniciará o uso de medicamentos com cordicóide. Essa é a única fase da doença com remédio comprovado, diz o médico.  "O estudo da Inglaterra, espetacular e imenso, mostrou que a única coisa que muda o curso da doença no sentido de proteger contra a morte é esse remédio: corticoide em doses leves e moderadas".

O médico cita outro medicamento que reduz o número de internações, mas que ainda não chegou ao Brasil, o Remdesivir. Outros remédios continuam em estudo para o tratamento da Covid-19. 

Assista a entrevista completa com o médico Carlos Henrique Nery Costa no vídeo acima.

 

 


Carlienne Carpaso
[email protected] 

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